O vereador Thiago Bitencourt Ianhes Barbosa (PL) foi preso em flagrante por suspeita de cometer abusos sexuais e armazenar pornografia infantil. A prisão aconteceu no último sábado (31), em Canarana (MT), mas as informações só foram divulgadas pela Polícia Civil do Estado nessa segunda-feira (2).
Segundo os policiais, o político de 40 anos mantinha relacionamentos com meninas menores de idade e as explorava para gerar materiais ilícitos. O delegado Flávio Leonardo Santana detalha que o suspeito utilizava a profissão de médico para se aproximar das vítimas, a maioria em situação de vulnerabilidade.
Ainda conforme as autoridades, Thiago Bitencourt também é suspeito de submeter uma adolescente à prática de escravidão sexual, utilizando-a como instrumento para abusar sexualmente uma criança de apenas dois anos.
Após a prisão, a Polícia conseguiu localizar outra vítima, de 15 anos, que teria se relacionado com Bitencourt quando tinha 12 anos.
Material ilícito foi encontrado na casa do vereador
Com base nos indícios, a Polícia Civil de Mato Grosso cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa e no consultório do vereador, nessa segunda-feira. Foram encontrados eletrônicos contendo conteúdos pornográficos com crianças e adolescentes, produzidos por Bitencourt, além de roupas infantis e itens sexuais.
As autoridades confirmam que "todo material produzido com as menores identificadas foi localizado em posse do suspeito". Thiago Bitencourt permanece preso enquanto novas diligências são feitas a fim de identificar outras possíveis vítimas e esclarecer a extensão dos crimes.
Quem é Thiago Bitencourt
Médico e advogado, Bitencourt foi eleito vereador de Canarana nas eleições de 2024, com 509 votos. Atua como médico desde 2009, sem especialização registrada no CRM-MT. Em 2010, foi processado por injúria, difamação e abandono de cargo e condenado a 1 mês e 10 dias de reclusão. A pena foi anulada posteriormente com recurso.
Devido à repercussão do caso, o Partido Liberal afastou preventivamente Bitencourt, em decisão assinada pelo próprio presidente estadual da sigla, Ananias Filho. "O PL Estadual, o PL Mulher e o PL Municipal repudiam veementemente as alegações atribuídas ao vereador", diz o documento.
O CRM-MT divulgou nas redes sociais que abriu uma sindicância interna para apurar a conduta do vereador. "Apenas após a conclusão da sindicância é que haverá, ou não, abertura de processo ético contra o referido profissional", cita a nota.
Já a Câmara de Municipal de Canarara informou que está "acompanhando de perto" as denúncias contra o suspeito. "A Câmara repudia os supostos crimes atribuídos ao parlamentar e aguarda os desdobramentos da investigação, que deve seguir as garantias constitucionais", conclui o texto.