Jogos olímpicos e sua diversidade muda

Ninguém deve ser julgado pelo corpo

Matéria por  Elaine Quinderé
04 de Agosto de 2024 - 07:00
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Eu sei, vocês, assim como eu, também estão comemorando cada medalha que a delegação brasileira vem trazendo para casa das Olimpíadas Paris de 2024. Além de ser um prato cheio para alimentar o nosso espírito esportivo, as Olimpíadas também são um verdadeiro laboratório antropológico.

Observar os atletas, cada um em sua categoria de competição, o que é preciso para chegar até ali, me faz questionar o quanto corpos diversos são negligenciados nesse processo.

E não, não vou dizer que não existem corpos maiores nessas Olimpíadas. Porque tem, eles existem, eles estão competindo como qualquer outro atleta que tenha um corpo "magro" e "atlético". O que também me faz cravar que o padrão estético é irreal até para um atleta, alguém que vive para o exercício físico e para o cuidado com seu bem-estar.

Caberia aqui um apanhado cronológico de como o corpo mudou (e muda) durante a história da humanidade. A gente volta lá pro Movimento Renascentista que tinha como ideal de beleza a mulher gorda, de quadris largos e voluptuosa, não só porque a gordura foi sinal de riqueza por muitas décadas, mas porque esse era o corpo ideal para gestar um filho.

Acelerando um pouco o século, a gente chega nos anos 1920 onde a silhueta muda drasticamente, os quadris ficam estreitos, o corpo emagrecido e a cintura deslocada, tudo por influência do padrão de beleza parisiense e pelo movimento sufragista. Nos anos 1980, o corpo fitness, delgado e malhado ganhou força como uma maneira de se dissociar das pessoas que viviam com HIV na época.

Sendo assim, o que é um corpo saudável? E atlético? E qual é o corpo do atleta? Nessas Olimpíadas, a jogadora de rugby norte-americana, Ilona Maher, usou sua rede social para confrontar alguns haters que falaram do seu peso. A atleta é uma mulher de um 1,78m de altura e que pesa 91kg, fazendo com que seu Índice de Massa Corporal seja de 30, o que configura o IMC de uma pessoa obesa.

A gente nem precisaria ir tão longe tendo o judoca brasileiro Rafael Silva, o "Baby", competindo na categoria +100kg masculino. Ou com a também judoca, Bia Souza, ganhadora da primeira medalha de ouro do Brasil nas Olimpíadas de Paris 2024.

Ambos são atletas e pessoas gordas. Você ousaria dizer que um medalhista olímpico não é saudável? A resposta ninguém consegue dar porque não é um cálculo de IMC que consegue interpretar o que é saúde e bem-estar de verdade.

E tantos outros atletas fora do padrão, fora os que sofrem com questões de gênero, continuarão vendo no esporte uma possibilidade para viver. Um propósito muito maior do que o seu preconceito com aquilo que não é tido como padrão ideal de beleza e saúde.

A moral disso tudo é uma só: não dá pra julgar ninguém pelo corpo, caros leitores.

*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião da autora

 

 



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