Quem faz moda para pessoas maiores?

Enquanto alguns poucos ainda se preocupam em abraçar corpos fora de uma grade "regular" de tamanhos, outros sequer contemplam a ideia de que o mundo vai além do tamanho 44

Matéria por  Elaine Quinderé
29 de Julho de 2024 - 07:00
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Na quarta-feira da semana passada, dia 24, ocorreu o primeiro dia do DFB Festival, um dos maiores eventos de moda do nosso país e o maior do Nordeste. O evento ocorre desde 1999 e, nesses 25 anos, o DFB foi berço de grandes marcas cearenses.

Na edição deste ano, ao longo de 4 dias de evento e desfiles, uma coisa ficou muito clara para mim: a moda para pessoas maiores desapareceu. O passado de uma moda que se preocupava, ainda que minimamente, com quem veste tamanhos plus size está morto e enterrado.

Sim, existem eventos e marcas de moda plus size espalhados aí pelo Brasil todo, mas cadê essa moda e esses corpos nas grandes semanas de moda?

Cadê esse tema sendo debatido nesses grandes eventos que são quase que canônicos para a comunidade da moda nacional? Não, a gente não se contenta com essa meia dúzia de figurinhas carimbadas que sempre marcam presença nesses momentos. Tá na hora de tanta gente boa e criativa receber seus devidos louros pelo trabalho que faz.

Estar no DFB é estar pertinho de quem a gente admira já faz tanto tempo, mas é lamentável ver que ano após ano, a diversidade corporal nunca é vista como algo de se levar a sério. Tantos anos debatendo sobre isso e a constatação é que não estamos nem perto de chegar "lá" e o "lá" é uma pluralidade que, aparentemente, nem existe.

E se você acha que a moda se limita a 30 looks de uma coleção nova, aquela coisa tão distante e inacessível, se engana.

A moda é um recorte perfeito da nossa sociedade e se só vemos pessoas magérrimas nesses espaços, o que isso diz da nossa sociedade?

Quantas pessoas são deixadas de fora, impedidas de acessar um espaço que gosta de se dizer tão democrático?

Nunca existiu uma não necessidade de se criar peças em tamanhos maiores, mas me questiono se existe uma vontade genuína de criar para esses corpos que representam a maioria da população brasileira. E a moda é essa engrenagem potente que alimenta a exclusão e o preconceito a qualquer um que ela determine que não faz parte da sua patota.

Foi gostoso, como sempre é, viver o DFB e seus quatro dias de inspiração para quem trabalha com a moda. É sempre especial ver o design e nossa cultura material com todo esse destaque, e poder celebrar de perto quem a gente gosta de ver ganhando o mundo.

Mas, DFB, eu te pergunto: quando que eu vou poder me ver?

*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião da autora

 


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