Grupo Marquise, sucesso de Pecém a Santos, é o dois em um

Controlado pelos sócios Erivaldo Arraes e José Carlos Pontes, a corporação cearense é hoje um império que atua com êxito, também, na construção pesada

Matéria por  Egídio Serpa
16 de Maio de 2025 - 06:52
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Cresceu e chegou ao topo a construção pesada do Ceará, e o melhor exemplo desta constatação é o da Marquise Infraestrutura – já inserida entre as grandes nacionais do setor – que agora se aliou à italiana WeBuild para, em consórcio, participar da bilionária concorrência internacional, promovida pelo governo de São Paulo, com o apoio do governo federal, para a construção do túnel Santos-Guarujá, o primeiro submerso a ser implantado no Brasil.

Esse túnel cruzará, por baixo do mar, o canal de acesso e a bacia de evolução do porto de Santos, o maior da América Latina, projeto que absorverá investimento de R$ 6 bilhões.

Ao longo dos últimos 20 anos, a Marquise Infraestrutura – que integra o Grupo Marquise, um conglomerado de empresas com atuação em diferentes ramos da atividade econômica, da incorporação imobiliária à hotelaria, da construção civil à comunicação com rádio e televisão, da dessalinização da água do mar à produção de gás metano, do setor financeiro à coleta, transporte e destinação de resíduos sólidos em várias capitais e grandes cidades do Norte, Nordeste e Sudeste – investiu em tecnologia, em recursos humanos e em máquinas e equipamentos que a levaram a exibir hoje um portfólio de grandes empreendimentos nas áreas pública e privada.

Foi a Marquise Infraestrutura, sob o comando do engenheiro Renan Carvalho, que executou as obras das últimas ampliações do Porto do Pecém, construído no meio do mar. Entre essas obras incluem-se a segunda ponte de acesso ao seu terminal “offshore” e ao seu Terminal de Múltiplo Uso (Tmut). Foi ela que fez aeroportos no Rio Grande do Norte e em Minas Gerais e rodovias e viadutos no Pará e no Maranhão.

É a Marquise que, em alta velocidade, está implantando o maior projeto privado de infraestrutura de transporte ferroviário do país – a Ferrovia Transnordestina, com 1.206 quilômetros de extensão. É ela que constrói o Eixão das Águas, um sofisticado projeto de recursos hídricos que une diferentes bacias do interior cearense. É, ainda, a Marquise que executa para o governo de São Paulo – onde a empresa, igualmente, tem forte atuação no mercado imobiliário e na prestação de serviços na área ambiental – importantes obras de barragens e de saneamento.

Qual a causa do sucesso das empresas do Grupo Marquise? Resposta de 10 em cada 10 empresários cearenses, que acompanham a sua trajetória há 51 anos: o perfeito casamento dos seus dois sócios fundadores – os engenheiros Erivaldo Arraes e José Carlos Pontes, cada um dono de 50% do capital da corporação.

Colegas da Faculdade de Engenharia da UFC, onde estreitaram uma antiga e boa amizade pessoal e onde descobriram, em 1974, sua mútua vocação empreendedora, Pontes e Arraes começaram como começa a maioria dos jovens engenheiros: amassando o barro da construção civil.

Em pouco tempo, mas com muito esforço e integral dedicação ao serviço, construíram um império corporativo que abriga hoje um punhado de empresas e a inteligência de alguns milhares de colaboradores – engenheiros, arquitetos, especialistas em meio ambiente e em Tecnologia da Informação, técnicos, consultores financeiros, profissionais da comunicação, desenvolvedores de sistema e executivos craques na gestão empresarial.

Dionísio Barsi, consultor financeiro do Hotel Gran Marquise, que há 40 anos tem sua vida umbilicalmente vinculada ao Grupo Marquise, de cujas finanças cuidou como diretor durante 30 anos, confessa à coluna:

“No universo corporativo da Marquise, a mediocridade passa ao largo, e é por esta e outras razões que o grupo chegou ao ponto de destaque nacional em que agora se encontra. Mérito dos seus dois controladores e produto da competência e do abnegado trabalho dos seus executivos e do conjunto dos seus colaboradores.”

Fernando Cirino Gurgel, ex-presidente da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), não deixa por menos. Ele emite sua opinião, com absoluto conhecimento de causa:

“José Carlos Pontes e Erivaldo Arraes compõem o mais visível caso de sucesso de uma sociedade corporativa. Não conheço outro no Ceará. São duas pessoas distintas, com personalidades diferentes, gostos diferentes, mas com um ponto em comum: o respeito recíproco e o foco nos negócios. Este tem sido o segredo do êxito da sociedade do José Carlos com o Erivaldo.”

Outro que conhece os dois é o empresário Pio Rodrigues, que resume assim o sucesso do Grupo Marquise:

“Erivaldo Arraes e José Carlos Pontes são dois em um. Ponto.”



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