Arezzo produzirá sapatos femininos de luxo em Uruburetama

Dona de uma das mais famosas marcas brasileiras de calçados, a Arezzo já seleciona pessoal para sua unidade industrial que funcionará no mesmo galpão onde funcionou a Paquetá, que fechou suas fábricas no Ceará.

Matéria por  Egídio Serpa
05 de Janeiro de 2024 - 05:46
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Mais rapidamente do que se imaginava, a Arezzo, uma das mais importantes marcas da indústria de calçados do país, já iniciou o processo de seleção de pessoal para a sua unidade de produção a ser instalada na cidade de Uruburetama, no mesmo espaço físico – um galpão – que foi ocupado até recentemente pela concorrente Calçados Paquetá, que o fechou por problemas financeiros.  

A Arezzo está dando preferência ao pessoal que integrava os quadros de colaboradores da Paquetá em Uruburetama. Trata-se de mão de obra já treinada e qualificada. A Paquetá, por sua vez, já prometeu que pagará todos os direitos trabalhistas dos seus ex-funcionários. 

Esta coluna pode informar, com base numa fonte que acompanha pessoalmente as tratativas, que foi a própria Paquetá que procurou a Arezzo para oferecer-lhe não só o galpão, mas também a maquinaria e a linha de produção de calçados. 

A Arezzo produz calçados femininos para o chamado mercado de luxo, e seus produtos são comercializados em Fortaleza por meio de lojas da marca que estão localizadas nos grandes shoppings centers, como o Iguatemi Bosque e o RioMar. 

A mesma fonte adiantou, ainda, que a Paquetá e a Arezzo celebraram um acordo de transferência dos ativos daquela para esta em Uruburetama. Esse acordo será, agora, submetido à consideração da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE) do Governo do Ceará, que elaborará um contrato relativo, também, à transferência dos incentivos fiscais de que gozava a Paquetá e que serão transferidos para a Arezzo. 

Outro detalhe: a Arezzo, que não produz calçados injetados, mas feitos em couro especial bovino e caprino, poderá utilizar couros produzidos por dois curtumes cearenses: o da Mastratto, de capital italiano, localizado em Maracanaú, e o da JBS, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, que se localiza em Cascavel, no Litoral Leste do Ceará. Esses dois curtumes fornecem couro para grandes indústrias automobilísticas da Europa e dos Estados Unidos. 

É necessário lembrar que a indústria calçadista é muito forte no Ceará. Ela começou a chegar aqui no primeiro governo de Tasso Jereissati, atraída por um cardápio de incentivos fiscais que também atraiu a Grendene, que hoje, somente em Sobral, tem mais de 20 mil colaboradores. Neste momento, o setor calçadista cearense dá emprego direto a quase 70 mil pessoas em diferentes regiões do estado. 

Eis dois exemplos da força da indústria de calçados no Ceará: 

A empresa Dass, que tem fábrica em Itapipoca, emprega cerca de 4,9 mil funcionários. A Aniger, uma franqueada da multinacional norte-americana Nike, tem uma fábrica em Quixeramobim, no Sertão Central do Ceará, cujo quadro de pessoal conta com 4 mil pessoas que produzem calçados esportivos – especialmente tênis – com aquela que é uma das mais conhecidas marcas do mudo. A mesma Aniger instalou na cidade de Tauá, na região dos Inhamuns, no Oeste do Ceará, uma unidade industrial que produz calçados femininos com a mão de obra de 400 pessoas. 

A situação de crise financeira da Paquetá levou-a a fechar suas fábricas no Ceará, mas é o próprio setor industrial calçadista que se mobiliza para a busca de uma solução, e o caso da chegada da Arezzo em Uruburetama é bem uma prova dessa mobilização. 

O governo cearense dispõe de um menu de incentivos – não somente fiscais – para atrair empresas industriais brasileiras e estrangeiras capazes de abrir novos empregos no estado, e este é o detalhe fundamental dessa política de atração de novos investimentos. 



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