Grupo Samaria, com sede no Ceará, produz da ração ao camarão

Liderado pelo maior produtor de camarão do país, o cearense Cristiano Maia, o grupo ampliou e modernizou sua fábrica de rações de Maracanaú, cuja produção dobrou para atender à demanda da agropecuária e do mundo pet

Matéria por  Egídio Serpa
04 de Janeiro de 2024 - 08:32
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Localizada a 195 quilômetros a Oeste de Natal, no Rio Grande do Norte, e a 330 quilômetros a Sudeste de Fortaleza, a Fazenda Potiporã, uma das empresas do Grupo Samaria, do cearense Cristiano Maia, é o maior centro de produção, de pesquisa e de distribuição de larva da carcinicultura brasileira. 

Ocupando uma área de 1.500 hectares, dispondo de 86 viveiros, sessenta berçários e cinco quilômetros de canais, a Potiporã produz, mensalmente, 1.200 toneladas de camarão que são comercializadas para todo o país, desde o Amazonas até o Rio Grande do Sul. 

No seu laboratório, instalado na fazenda, trabalham técnicos brasileiros e estrangeiros que cuidam da melhoria genética e, também, da proteção dos seus camarões contra o mal da mancha branca, uma de suas doenças mais graves. 

O Grupo Samaria – cuja sede é em Fortaleza – tem, também, no Ceará fazendas de criação de camarão, que, como o produzido no Rio Grande do Norte, é alimentado com ração fabricada pela unidade industrial da Samaria Rações, instalada e em operação na margem Norte do IV Anel Viário de Fortaleza, cujas instalações e equipamentos foram recentemente ampliados e modernizados, permitindo dobrar a sua produção, que atende à demanda dos estados do Nordeste e do Norte do País. 

A Samaria tem, ainda, uma unidade produtora de ração para animais na cidade pernambucana de Goiana, à margem da BR-101, entre João Pessoa (PB) e Recife.

As duas fábricas produzem rações para peixes, camarão, equinos, bovinos, caninos e felinos.

Falando ontem a esta coluna, Cristiano Maia – um homem de hábitos conservadores, muito dedicado à sua família, com um faro incrível para os bons negócios – disse que a carcinicultura vive um bom momento. Na sua opinião, este momento poderá tornar-se melhor ainda se o governo brasileiro, por meio do Ministério da Agricultura, obtiver reabertura do mercado europeu para o camarão brasileiro, algo que ficou mais difícil tendo em vista o impasse a que chegaram as lideranças do Mercosul e do Mercado Comum Europeu em relação ao acordo de livre comércio entre as duas partes.
 
O Brasil já chegou a exportar camarão para a Europa, e tudo ia bem até que os europeus impuseram pesadas barreiras à importação do produto brasileiro, que tem melhor qualidade do que o de outras regiões do mundo e, ainda, um preço muito competitivo, conforme explicou Cristiano Maia.

Ele se revela preocupado com a possibilidade de o Ceará e o Nordeste enfrentarem, neste ano, um novo período de seca. É que as atividades de suas empresas têm ligação direta com a oferta de água – além de carcinicultor e industrial do setor de rações para animais, Cristiano Maia é, também, agricultor e pecuarista. 

“Se a água da chuva falta, a agropecuária é a primeira a sofrer suas consequências. O nível dos grandes açudes do Ceará e do Rio Grande do Norte está muito reduzido porque, no ano passado, a pluviometria não foi suficiente para recarregá-los até um volume capaz de garantir a travessia tranquila deste 2024”, comentou ele, sem deixar escapar um ar de preocupação diante do que poderá vir a ser um problema para a atividade econômica no semiárido nordestino.

Presidente da Camarão BR, entidade nacional mais importante da representação política dos carcinicultores brasileiros junto aos organismos do Governo Federal em Brasília, Cristiano Maia mantém seu otimismo, mesmo diante das adversidades previstas e anunciadas pela ciência do clima. 

“Se vier mais uma seca, vamos enfrentá-la. Se a chuva vier, redobraremos nossos esforços para ampliar a atividade da carcinicultura no Ceará e nos demais estados do Nordeste. O que sobra em nós, nordestinos, são a coragem, a ousadia, a criatividade e a disposição para o trabalho”, concluiu ele.



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