Do mictório feminino à bebida para ‘hackear’ o corpo: veja 3 negócios inovadores feitos por mulheres

Matéria por  Bruna Damasceno
30 de Outubro de 2024 - 08:27
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Mictório feminino descartável e biodegradável para situações de urgência, cosméticos inspirados na cultura ancestral cearense e bebida de biohacking (personalização da biologia humana) para combater o sono e o cansaço. Esses são apenas alguns exemplos de pequenos negócios idealizados e comercializados por mulheres no Ceará. 

O empreendedorismo feminino foi um dos destaques do Siará Tech Summit 2024, maior evento de inovação do Estado, no último dia 26. Abaixo, conheça essas três empresas inovadoras desenvolvidas por mulheres.  

Xixikita: xixi em pé para mulheres 

Maíra Carvalho criou a marca Xixikita (@funilxixikitaoficial)
Legenda: Maíra Carvalho criou a marca Xixikita (@funilxixikitaoficial)
Foto: Bruna Damasceno / SVM

A cearense Maíra Carvalho viu a partir de uma experiência pessoal a oportunidade de fazer negócio. Durante o carnaval deste ano, ela não queria usar banheiros químicos, mas não teve alternativas.

Já atuando no ramo da beleza, a empreendedora percebeu, por meio de conversas com as clientes do seu salão, também ser uma necessidade relatada por outras mulheres. Foi assim que surgiu a ideia de criar um funil para uso em situações que exigem mais praticidade, como banheiros públicos.

"Quando comecei a vender, notei que a demanda pelo produto ia além dos eventos. Mulheres com nanismo, por não conseguirem utilizar banheiros não adaptados, aquelas em recuperação pós-cirúrgica, por não ser possível se abaixar, noivas com vestidos volumosos e mulheres que praticam trilhas, por exemplo", listou.

O teste do produto foi feito durante a micareta Fortal, em julho, e deu muito certo, segundo a empreendedora. Além de vender kits para produtoras de eventos e comércios, ela atende a consumidora final por meio do e-commerce, vendendo na Shopee e no Instagram (@funilxixikitaoficial). 

Já há produtos similares no mercado, mas a ideia da empreendedora foi produzir mercadoria de baixo custo e sustentável, com papel 100% reciclado e biodegradável. A caixa com três unidades custa R$ 10,00.

Pele de marfim: cosméticos feitos com insumos e sabedoria do Ceará 

A engenheira química Ingrid Barbosa, de 29 anos, criou a marca Pele de Marfim (@peledemarfim)
Legenda: A engenheira química Ingrid Barbosa, de 29 anos, criou a marca Pele de Marfim (@peledemarfim)
Foto: Bruna Damasceno / SVM

A engenheira química Ingrid Barbosa decidiu criar produtos cosméticos considerando as temperaturas do Ceará. A sua marca, Pele de Marfim (@peledemarfim), tem produtos com soluções voltadas para as necessidades em um clima tropical, como poros mais abertos e pele seca.

A cearense agregou, ainda, a cultura ancestral, por meio da sabedoria de preto-velhos e indígenas, para elaborar as receitas a partir de ervas e outras matérias-primas. 

Entre os produtos, estão aromatizadores de ambiente, hidratantes e desodorantes sólidos
Legenda: Entre os produtos, estão aromatizadores de ambiente, hidratantes e desodorantes sólidos
Foto: Bruna Damasceno / SVM

“Viajo e converso com as comunidades para entender esse conhecimento e buscar pesquisas científicas que comprovem os benefícios de cada um, agregando a tecnologia brasileira para adaptar as soluções ao nosso clima”, explicou.

Os insumos são retirados da biodiversidade do Ceará em diversas cidades durante as viagens. Entre eles, estão a carnaúba, a cera de abelha e o óleo de pequi, que, em suas mãos, viram xampu sólido, escalda-pés, sabonetes e outros produtos. Os valores variam de R$ 18 a R$ 48. 

Kaauy: kombucha inovadora para combater sono e cansaço 

Fernanda Matias é doutora em biotecnologia pela Universidade de São Paulo (Usp) e professora da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa)
Legenda: Fernanda Matias é doutora em biotecnologia pela Universidade de São Paulo (Usp) e professora da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa)
Foto: Bruna Damasceno / SVM

A paulista Fernanda Matias desenvolveu bebidas energizante e do sono para combater cansaço e insônia a partir de extratos da caatinga e do cerrado (@kauybebidas). A técnica de produção adotada por ela é chamada de biohacking, cuja finalidade é 'hackear' a biologia para melhorar o desempenho das capacidades humanas. 

Matias, que é doutora em biotecnologia pela Universidade de São Paulo (Usp) e professora da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), descobriu como aprimorar a kombucha (bebida milenar) para essas finalidades durante o doutorado, em 2014.

“Consegui examinar o microbioma humano, manter o pH, estabilizar a cultura e desenvolver o produto vegano e sem nenhum conservante. Mas, naquela época, não tive apoio para entrar no mercado”, explicou. 

Em um laboratório na própria casa, em Mossoró–RN, Matias desenvolve a bebida inovadora, cujas fórmulas patenteadas são mantidas em segredo. A matéria-prima utilizada é originária de plantas nativas.

O elixir do sono e o energizante têm valores a partir de R$ 8,00, podendo ser encontrados no site da empresa ou no Instagram (@kauybebidas).

Como apoiar as mulheres no mercado de trabalho

A especialista em propriedade intelectual e gestão da inovação, Bruna Felix, apresentou formas de atuar em prol da equidade de gênero no mercado de trabalho
Legenda: A especialista em propriedade intelectual e gestão da inovação, Bruna Felix, apresentou formas de atuar em prol da equidade de gênero no mercado de trabalho
Foto: Bruna Damasceno / SVM

No Siará Tech Summit 2024, a especialista em propriedade intelectual e gestão da inovação, Bruna Felix, debateu sobre como transformar o discurso em ações práticas para apoiar as mulheres no mercado de trabalho. 

“As organizações devem capacitar as mulheres, ver o que elas estão fazendo e seus resultados para adotar boas práticas. Mesmo os pequenos negócios podem incorporar isso, por meio de uma cadeia de fornecimento mais justa e inclusiva”, disse.

Para isso, listou, é necessário comprar dos pequenos negócios feitos por mulheres, implementar vagas afirmativas, adotar jornada flexível e revisar a política de cargos e salários para evitar disparidade salarial. 

Bruna é mestra em Administração e atualmente é gestora de inovação e novos negócios no Instituto Atlântico. É também embaixadora no Ceará da maior rede de empreendedorismo feminino no Brasil (RME), onde é mentora de projetos em parceria com empresas como Google, Itaú e Ambev.

Entenda melhor a temática 4 pontos que você precisa saber



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