Só sua tataraneta viverá em um mundo de plena igualdade entre homens e mulheres; entenda

Matéria por  Bruna Damasceno
07 de Agosto de 2024 - 07:00
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Levará 134 anos — cinco gerações — para as mulheres viverem em um mundo onde terão as mesmas oportunidades que os homens, segundo estudo do Fórum Econômico Mundial. Ou seja, a depender da sua idade, se você tem uma filha ou planeja ter, talvez precise aguardar a chegada da tataraneta para presenciar a plena igualdade de gênero se tornar uma realidade. 

Nesse contexto, além das políticas públicas, os negócios podem contribuir para quitar essa dívida histórica antes das próximas gerações. Segundo a co-fundadora da Think Eva, Maíra Liguori, o primeiro passo é apenas o cumprimento da legislação. 

Entre elas, a igualdade salarial, acolhimento e canais de denúncia para vítimas de assédio moral e sexual no mercado de trabalho e o afastamento de pelo menos 120 dias em caso do nascimento ou adoção do filho.

“Vemos empresas descumprindo a licença maternidade e a estabilidade durante os cinco meses seguintes. Do ponto de vista da compliance (conformidade com a lei), essas questões já estão dadas”, observa, lembrando que as medidas geram benefícios no curto e longo prazos para as companhias. 

“Essas leis postas valem para CLT, mas para as pessoas jurídicas (PJ) ou microempreendedoras (MEI) ainda temos um longo caminho para percorrer em termos de segurança porque a precarização ameaça os direitos das mulheres no mercado de trabalho”, diz.

No entanto, acrescenta, a promoção da equidade de gênero também demanda a adoção de práticas de ESG, sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança (Environmental, Social and Governance).

“São necessárias vagas afirmativas para mulheres e pessoas negras, algo ainda muito restrito no nosso mercado. As licenças maternidade e paternidade estendidas, que estão no contrato da Empresa Cidadã, não trazem custo nenhum por serem absorvidas pela seguridade social, mas muitos negócios não têm feito”, frisa.

Conforme Maíra, as empresas também podem incentivar as lideranças femininas, sobretudo de pessoas negras, pensar em jornadas flexíveis, apoiar com creches, espaços para a amamentação no retorno do trabalho e estabelecer políticas de conciliação de parentalidade. 

Retrato da desigualdade de gênero 

Segundo o Índice Global de Disparidade de Gênero 2024, do Fórum Econômico Mundial, estes são os 10 países que atingiram o maior percentual de igualdade entre homens e mulheres.   

  • Islândia (93,5%);
  • Finlândia (87,5%);
  • Noruega (87,5%);
  • Nova Zelândia (83,5%);
  • Suécia (81,6%);
  • Nicarágua (81,1%);
  • Alemanha (81,0%);
  • Namíbia (80,5%);
  • Irlanda (80,2%);
  • Espanha (79,7%).

O Brasil, contudo, amarga percentual de 71,6%, ficando na  70ª posição, em 2024. Apesar de estar distante do ideal, houve um leve declínio da desigualdade de gênero em relação ao ano anterior, quando a pontuação era de 72,6%.

Em relação ao fator de equidade econômica, o número é 66,7%, enquanto o de paridade em cargos de liderança é de 66,1%. Em relação à política, O Brasil acompanha a média global (22%). 

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