Política e desenvolvimento

Escrito por
Gonzaga Mota producaodiario@svm.com.br
Legenda: Professor aposentado da UFC
São evidentes as relações entre a política e o desenvolvimento econômico. A própria conceituação de desenvolvimento econômico, como uma forma superior de organização social, pressupõe o aperfeiçoamento do processo político, em que se incluem os conceitos de participação e liberdade. No caso brasileiro, julgamos da maior importância e oportuna essa análise.
 
Parece claro que os problemas relacionados com o desenvolvimento econômico nacional, além de conotações mais profundas de ordem cultural, estão associados a fatores como desigualdades entre as regiões do País e entre as áreas urbana e rural, bem como distribuição de renda altamente desfavorável, do ponto de vista pessoal, funcional e setorial. Esses desequilíbrios distributivos conjugam-se com os seguintes problemas: elevado grau de endividamento externo e interno, desemprego, bem como níveis preocupantes de elevação da pobreza e de violência.
 
Por outro lado, a sociedade brasileira enfrenta impasses, tais como: desarticulação entre os poderes constituídos; pouca participação dos Estados e Municípios nas decisões políticas e econômicas e necessidade de afirmação do apoio popular junto aos centros de deliberação nacionais. É inegável que um quadro político como este torna de difícil superação os impasses econômicos. A questão da dívida externa, por exemplo, há muito deixou de ser um problema técnico.
 
Ao contrário, sua complexidade e a própria instância na qual a mesma pode ser equacionada emprestam-lhe um insofismável aspecto político. Se houvesse mais participação e, como corolário, mais confiança, as condições de combate aos problemas seriam bem menos onerosas, mesmo porque o povo brasileiro, motivado e confiante, seguramente estaria disposto à renúncia e ao sacrifício espontâneo para encontrar as soluções desejadas.
 
Ademais, notaremos efeitos distributivamente perversos das políticas salarial, fiscal e tributária. De um lado, presenciamos uma forte redução do poder aquisitivo das classes assalariadas e, de outro, o sacrifício das empresas nacionais, não só pela retração do mercado, mas também pela pouca segurança no futuro da economia nacional e pela impossibilidade de suportar taxas de juros escorchantes. Sem dúvida, o quadro é difícil e seria leviandade exigir soluções rápidas e imediatas.
 
Existem objetivos conflitantes e variáveis aleatórias impondo maior complexidade aos problemas. Dessa forma, torna-se necessário, cada vez mais, um maior entendimento entre Executivo, Legislativo e Judiciário, como também com outros setores representativos da sociedade. P.S. – O Brasil só encontrará um caminho viável, mediante a consolidação de uma democracia plena caracterizada por uma boa educação, pela justiça, pela liberdade e pela paz.
 
Gonzaga Mota é professor aposentado da UFC

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