O futuro do alto padrão é verde

Escrito por
Barbara Barbosa producaodiario@svm.com.br
Legenda: Barbara Barbosa é engenheira civil

O mercado imobiliário de alto padrão no Brasil vive uma fase de expansão sem precedentes. Em 2024, segundo a Brain Inteligência Estratégica, o setor registrou um aumento de 46,1% no Valor Geral de Vendas (VGV), movimentando aproximadamente R$ 38 bilhões. Nesse contexto, o perfil do comprador de imóveis de luxo também se transforma: não basta oferecer localização privilegiada ou acabamentos sofisticados, é preciso entregar eficiência energética, integração com áreas verdes, uso de materiais sustentáveis e soluções que minimizem o impacto ambiental.

Esse movimento acompanha a consolidação do Brasil no cenário global de construções sustentáveis. Dados da U.S. Green Building Council (USGBC) mostram que o país possui cerca de 2.400 edificações certificadas com o selo LEED — reconhecimento internacional que atesta o cumprimento de rigorosos critérios de sustentabilidade, como maior presença de áreas verdes, utilização de materiais sustentáveis e compensação de carbono. Apenas em 2023, 125 projetos brasileiros receberam a certificação, o que representa um crescimento de 5% no número de prédios sustentáveis. Com isso, o Brasil alcançou a nona posição no ranking global e figura como o segundo país mais sustentável da América Latina, atrás apenas do México.

No segmento de alto padrão, essa mudança é ainda mais evidente. A sustentabilidade deixou de ser um diferencial para se tornar um vetor de valorização. Empreendimentos que incorporam tecnologias de automação, sistemas de energia solar, fachadas ventiladas e soluções que aproximam o morador da natureza atraem mais compradores, contribuem para a preservação ambiental, geram economia no longo prazo e ampliam a qualidade de vida dos residentes.

O conceito de luxo, portanto, está sendo ressignificado. Mais do que uma tendência, essa transformação é também uma oportunidade de reconexão. Construir no alto padrão é, cada vez mais, construir com consciência: projetar espaços que inspiram, acolhem e respeitam o tempo, o entorno e as pessoas. O futuro do luxo é verde porque o futuro que queremos viver precisa ser sustentável.

Barbara Barbosa é engenheira civil

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