As favelas e a consciência negra

Escrito por Emanuel Santos producaodiario@svm.com.br
20 de Novembro de 2025 - 06:00
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Segundo o Censo de 2022, mais de 16 milhões de pessoas vivem em favelas e comunidades urbanas no Brasil. Esse número cresceu 43% em relação aos dados de 2010.

O número de favelas no País quase dobrou nesses últimos 12 anos, saindo de 6.329 para 12.348 comunidades.

Por si, esses dados indicam para onde as políticas públicas devem ser direcionadas, a fim de atender as necessidades básicas dessa população tão sofridas.

Esse direcionamento também deve promover a dignidade da alimentação básica que não deixa pessoas morrerem de fome;

A dignidade do saneamento que, quando investido, economiza na saúde e, portanto, pode elevar a capacidade de atendimento médico para os mais vulneráveis;

A dignidade da casa própria que eleva a segurança familiar e promove a certeza do teto certo para viver e evita assim cair na "invisibilidade" das ruas;

A dignidade da segurança pública como agente protetor, quando não se escolhe o alvo para abordar, acusar e até matar. Para isso, vale uma informação a mais.

Em 2023, quase 90% da letalidade policial no Brasil foram de pessoas negras, com idade entre 18 e 29 anos. Esse simples recorte aponta seletividade territorial, onde a predominância da população é preta ou parda.

As informações acima trazem à tona a realidade do racismo estrutural que permeia a favelização do país desde o dia 14 de maio de 1888, dia seguinte à assinatura da Lei Áurea.

Depois de anos de escravidão, os meus ancestrais foram "libertados" sem eira nem beira e não tiveram outra escolha a não ser formar os aglomerados urbanos chamados favelas.

A luta segue na favela, no morro, nas palafitas do Norte, no asfalto e, nos últimos anos, o dia da Consciência Negra tem sido esse marco para renovar as promessas de lutas, criticar o que ainda não foi posto, mas também celebrar as conquistas, como o próprio reconhecimento da data na calendário nacional.

Que esse 20 de novembro seja mais um dia para parar tudo, refletir e seguir cobrando mais equidade no País.

Emanuel Santos é jornalista



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