A COP 30 e sua importância (Final)
Segundo dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM), os últimos 11 anos foram os mais quentes da história e um relatório da instituição mostra que será difícil limitar o aumento da temperatura planetária a apenas 1,5oC
A COP30, encerrada na semana passada, em Belém do Pará, foi marcada, como era esperado, pelos embates acirrados e a defesa das mais diversas teses sobre a questão ambiental. Desde a chamada Cúpula dos Líderes, que reuniu lideranças políticas mundiais antes do inicio da COP30 propriamente dita, vimos o quão é complexa a abordagem do tema. A preocupação com a proteção das florestas remanescentes do planeta, bem como a redução da produção de combustíveis fósseis, contribuindo para a queda das emissões de dióxido de carbono na atmosfera, foram os aspectos que mais prevaleceram. A conferência, marcada até por protestos de indígenas e ambientalistas, reuniu autoridades, ministros do Meio Ambiente de 160 países e especialistas desejosos por estabelecer metas plausíveis e viáveis a serem alcançadas nas próximas décadas. Vimos, por exemplo, na abordagem da questão da redução da produção de combustíveis fósseis, a resistência de grandes produtores de petróleo - como o maior deles, a Arábia Saudita – em aceitar a fixação de um marco cronológico para que essa diminuição aconteça
. Desde o início da COP30, a ausência de delegações expressivas dos três maiores poluidores da Terra (Estados Unidos, China e Índia) mostrou a extrema dificuldade de se debater um assunto vital para a sobrevivência de toda a humanidade e que, se não encarado com a seriedade devida, trará consequências ainda mais trágicas para todos os países, sem exceção.
Uma iniciativa lançada pelo Brasil, já encampada pela Indonésia e mais alguns países, e que se espera alcançar, é a de reunir US$ 25 bilhões até 2026, e atrair outros US$ 100 bilhões para o recém-criado Fundo de Proteção das Florestas Tropicais para Sempre. Este destinar-se-á à proteção das florestas da Terra, como a Amazônia, resguardando-as como repositórios da biodiversidade. Espera-se também que os efeitos terríveis do aquecimento global possam ser enfrentados com mais decisão.
Segundo dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM), os últimos 11 anos foram os mais quentes da história e um relatório da instituição mostra que será difícil limitar o aumento da temperatura planetária a apenas 1,5oC. Os desafios são enormes, pois é clara a crescente agressividade de fenômenos que têm se abatido por todo o planeta, como, por exemplo, os furacões e tufões que ciclicamente atingem o Caribe e o sudeste da Ásia. O aquecimento global provoca furacões através da elevação da temperatura da água do mar, fornecendo mais energia para as tempestades, chuvas e ventos mais fortes, também elevando o nível do mar, com o derretimento das geleiras e a intensificação das inundações costeiras.
O mundo espera que, pelo menos, parte dos objetivos estabelecidos no documento final da conferência possam ser concretamente alcançados e que não passem de palavras ao vento. Ao fim de mais uma COP e das grandes divergências entre seus participantes, esperamos, mesmo assim, que deliberações importantes ali anunciadas sejam entendidas e aplicadas com a urgência que merecem. Ganhará, com isto, todo o planeta!