Terreno do Hard Rock Hotel Fortaleza é alvo de disputa judicial

Segundo antigos donos do terreno, há um saldo devedor de R$ 61 milhões. Já os investidores responsáveis pelo hotel negam pendências financeiras e afirmam que tudo está garantido por cartas fianças

Escrito por Samuel Quintela samuel.quintela@svm.com.br
04 de Fevereiro de 2021 - 18:15
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O Hard Rock Hotel - Lagoinha – localizado no município de Paraipaba, a cerca de 100 quilômetros de Fortaleza –, não teve nem mesmo as obras concluídas e já é palco de uma disputa na Justiça. De um lado, uma imobiliária, antiga proprietária do terreno em que o hotel está sendo construído, alega não ter recebido, desde agosto de 2018, parte das parcelas previstas pela venda do imóvel, totalizando, segundo ela, um saldo devedor de R$ 61 milhões. Do outro, a empresa que investe no hotel da famosa franquia afirma que não há pendências e que o pagamento está assegurado por um acordo entre as duas partes e um banco de garantias. 

Toda a disputa foi iniciada a partir da negociação entre a Venture Capital Investimentos (VCI), empresa que fechou um contrato para o uso da marca Hard Rock Hotel no Ceará, e a  Fortalisboa Promoção Imobiliária LTDA, antiga dona do terreno de 178.701,61 metros quadrados na praia de Lagoinha. O imbróglio acabou se tornando ainda maior por conta de um segundo processo envolvendo o terreno onde o hotel é erguido. Segundo a VCI, antiga proprietária omitiu disputa por posse do terreno.

Após captar mais de R$ 300 milhões com emissão de debêntures para dar o pontapé inicial ao projeto, que também contaria com outra unidade do resort no estado do Paraná, a VCI negociou a compra do imóvel com a Fortalisboa, por cerca de R$ 79 milhões em 2017. Os investidores queriam iniciar as obras o mais cedo possível e a expectativa era de início das operações no Ceará era dezembro de 2020. As vendas de unidades e cotas do hotel começaram em 2018, conforme planejado.  

O projeto acabou sendo acelerado porque parte da estrutura para o resort do Hard Rock já estava erguida. O projeto aproveitou obras executadas anos antes, quando a Fortalisboa iniciou a construção de outro hotel que nunca saíra do papel.  

Para dar celeridade às obras, a VCI e a Fortalisboa fizeram um acordo de pagamento parcelado pelo terreno, com os valores sendo atualizados pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) – usado para corrigir mudanças nos valores de aluguéis, por exemplo.



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