Das mais de 279 mil pessoas do Ceará que se inscreveram para a prova da última edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), cerca de 21,9 mil (7,9%) obtiveram média igual ou superior a 650 pontos e estão aptos a concorrer a uma bolsa do programa “Pé-de-Meia Licenciaturas”. Isso deixa o Estado em 4º lugar no Brasil e 1º no Nordeste em relação ao total de candidatos que obtiveram a nota mínima para pleitear o benefício.
Com esse resultado, esses candidatos podem concorrer a um auxílio de R$ 1.050 por mês até o fim do período regular da graduação, caso escolham um curso de licenciatura ao se inscreverem no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2025. As inscrições começam na sexta-feira (17) e seguem até a terça-feira seguinte (21).
Em números absolutos, o Ceará fica atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro no cenário nacional. Considerando a proporção de candidatos aptos em relação ao total de inscritos, porém, o Estado fica na 8ª posição, mas continua liderando o ranking em âmbito regional.
Cinco estados com mais candidatos aptos
- São Paulo (SP): 76.569
- Minas Gerais (MG): 50.040
- Rio de Janeiro (RJ): 31.881
- Ceará (CE): 21.942
- Bahia (BA): 21.706
Os dados foram disponibilizados pelo Ministério da Educação (MEC) após solicitação do Diário do Nordeste.
Confira, no gráfico abaixo, o ranking nacional por número de inscritos, quantidade de candidatos aptos e proporção de pessoas que podem concorrer à bolsa.
O que é o ‘Pé-de-Meia Licenciaturas’?
Nos moldes do benefício que já é concedido a estudantes do ensino médio na rede pública, o “Pé-de-Meia Licenciaturas” vai ofertar uma bolsa de R$ 1.050 por mês a universitários de cursos de formação de professores. O programa foi anunciado formalmente pelo ministro da Educação Camilo Santana (PT) na última terça-feira (14), quando o Governo Federal divulgou um pacote de medidas para valorização dos professores.
Na ocasião, o ministro explicou que desse valor total, os estudantes poderão sacar imediatamente R$ 700. Os outros R$ 350 serão depositados em uma poupança, com saque após a formatura e ingresso na rede pública de ensino, em até cinco após após a conclusão da licenciatura.
Inicialmente, serão ofertadas 12 mil bolsas por meio do Sisu. As remanescentes serão aplicadas no Programa Universidade para Todos (Prouni), que oferece bolsas de estudo, integrais e parciais em instituições particulares de educação superior.
Caso ainda haja bolsas disponíveis após o Prouni, elas serão aplicadas no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que financia a graduação em instituições particulares.
Entre as Instituições de Ensino Superior (IES) privadas, só poderão ser contempladas aquelas que são avaliadas pelo MEC com conceitos 4 e 5 — os dois indicadores mais altos — tanto para a IES quanto para o curso.
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“Mais Professores para o Brasil”
Além do Pé-de-Meia Licenciaturas, o Governo Federal divulgou outras medidas para valorização dos professores da educação básica (infantil, fundamental e médio). Chamado de “Mais Professores para o Brasil”, o pacote inclui medidas em distintas frentes com objetivo de aumentar a atratividade da carreira do magistério e reter profissionais. Fazem parte do programa:
- Pé-de-Meia Licenciatura: pagamento de bolsa e a constituição de uma poupança voltada para estudantes universitários que escolham qualquer licenciatura ou Pedagogia e que tirarem acima de 650 na média do Enem;
- Carteira Nacional do Professor: ação que garante desconto em hoteis de todo o Brasil e cartão de crédito com condições diferenciadas junto a bancos públicos;
- Bolsa Mais Professores: iniciativa semelhante ao Mais Médicos vai remunerar de forma diferenciada professores que atuarem em áreas e territórios remotos.
- Seleção Nacional Unificada: O Governo Federal realizará anualmente a Prova Nacional Docente (PND), e estados e municípios poderão utilizá-la para selecionar professores.
- Plataforma digital de formação: O Governo desenvolveu uma plataforma digital com cursos gratuitos de formação inicial e continuada para o magistério.
O programa foi anunciado em um contexto em que a docência enfrenta desafios “complexos” no País, segundo o Camilo Santana. O ministro apontou que essas dificuldades estão em cinco frentes: atratividade da profissão de professor, qualidade da formação, permanência e conclusão das licenciaturas e ingresso nas redes públicas de ensino, além de carreira e desenvolvimento dos professores.
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