Wagner Moura ganha prêmio de melhor ator em Cannes por atuação em 'O Agente Secreto'

Kleber Mendonça Filho também ganhou como melhor diretor no festival

Matéria por  Redação
24 de Maio de 2025 - 15:10
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Wagner Moura ganhou o prêmio de melhor ator na 78ª edição do Festival de Cannes neste sábado (24). O ator foi premiado pelo seu trabalho em "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho. O diretor pernambucano, que venceu como melhor diretor, recebeu o troféu no lugar do baiano e agradeceu a premiação.

É a primeira vez na história que um ator brasileiro ganha esse prêmio no festival. Também é a primeira vez desde Glauber Rocha que um diretor brasileiro leva o troféu. 

Entre as atrizes, Fernanda Torres foi a primeira brasileira a vencer em Cannes, no ano de 1986, pelo filme "Eu Sei que Vou Te Amar". Em 2008, foi a vez de Sandra Corveloni ganhar o prêmio pela atuação em "Linha de Passe".

Wagner Moura não compareceu à cerimônia de premiação por estar nas filmagens de outro filme, o longa "11817", de Louis Leterrier. O ator esteve no festival na estreia no domingo (18), mas retornou na segunda-feira (19).

Neste sábado (24), ele foi representado pelo diretor do longa Kleber Mendonça Filho. "Eu tive a sorte de ter a oportunidade de trabalhar com o Wagner Moura, um grande ator e uma grande pessoa. Espero que este filme lhe traga coisas maravilhosas. Obrigado ao júri e à presidente Juliette Binoche", disse Mendonça Filho, ao agradecer a premiação pelo colega.

O longa recebeu aplausos durante aproximadamente 15 minutos, no dia da sua estreia no evento de cinema realizado na França, segundo a jornalista Jada Yuan, do Washington Post.

Sobre o que fala o filme?

O longa-metragem se concentra na vida de Marcelo (Wagner Moura) em 1977. Natural de Recife (PE), ele é especialista em tecnologia, mas as ações do seu passado o perseguem de forma pouco sutil. A saga retrata o retorno dele para a capital pernambucana.

Se o objetivo era buscar redenção nesse retorno, que acontece bem no meio do Carnaval, Marcelo terá desafios de extrema grandeza. O Brasil está em pleno período de chumbo, entrecortado pela Ditadura Cívico-Militar no Brasil (1964-1985).  Esse é o pano de fundo da saga, que mistura o drama do protagonista com a mancha ditatorial na história do País.

O tempo todo, Marcelo vai se confrontar com seu passado e presente, e perceber que pouco importa sua formação em tecnologia: as cicatrizes pessoais abertas anos antes estão prontas para se misturar com as questões políticas do período. 

Nesta produção, o grotesco e o excessivo são as notas que permeiam as cenas, ao contrário das sutilezas apresentadas no vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, o também brasileiro Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles. Mas se engana quem pensa que as nuances exageradas são puro estilo: elas mostram a crueldade da banalidade de Recife no fim dos anos 1970.

A produção ganhou elogios da crítica internacional e o Prêmio da Crítica. Isso fez com que ele fosse listado como um dos pretensos vencedores da Palma de Ouro, principal categoria de Cannes.

"Um filme de caráter, uma vitrine para a performance complexa e simpática de Moura, mas também a plataforma para uma produção cinematográfica emocionante e ousada", escreveu o jornal The Guardian sobre o filme.

O Hollywood Reporter chamou o filme de "magistral", com um "retorno maravilhoso de Wagner Moura ao cinema brasileiro". "Ele sempre foi um bom ator, mas Mendonça Filho faz dele uma estrela de cinema".

O The Playlist escreveu que Wagner Moura "comanda" o "belíssimo drama criminal", avaliando o filme como A+ (5 estrelas). Para o site, o filme é uma "obra-prima" de Mendonça Filho, "o esforço mais ambicioso e monumental de uma carreira sem tropeços até agora". As informações são do g1.

Mendonça Filho já havia vencido o prêmio do júri no festival de Cannes há seis anos, por Bacurau. A láurea de agora encerra um ano histórico para o Brasil no evento, com recorde de profissionais no Mercado do Filme, área de negócios que elegeu o país como grande homenageado desta edição.

Todos os vencedores do Festival de Cannes 2025

  • Melhor ator - Wagner Moura, por "O Agente Secreto";
  • Melhor diretor - Kleber Mendonça Filho, por "O Agente Secreto";
  • Palma de ouro - "A Simple Accident", de Jafar Panahi;
  • Grand prix - "Sentimental Value", de Joachim Trier;
  • Prêmio Especial do Júri - "Ressurreição", de Bi Gan;
  • Câmera de Ouro - O "Bolo do Presidente", de Hasan Hadi;
  • Prêmio do Júri - Mascha Schilinski, por "Sound of Falling";
  • Melhor Roteiro - Jean-Pierre e Luc Dardenne, por Young Mothers;
  • Menção Especial - My Father's Shadow, de Akinola Davies Jr.;
  • Curta-metragem Palma de Ouro - I'm Glad You're Dead Now, de Tawfeek Barhom;
  • Menção Especial, curta-metragem - Ali, de Adnan Al Rajeev;
  • Melhor atriz - Nadia Melliti, por The Little Sister.

O Cannes funciona da seguinte maneira:

  • O júri deve "obrigatoriamente" entregar sete prêmios: Palma de Ouro, Grand Prix, Prêmio do Júri e as distinções de direção, roteiro e interpretação feminina e masculina;
  • As decisões são tomadas por maioria absoluta nas duas primeiras rodadas e por maioria relativa nas seguintes;
  • No geral, um filme só pode receber um prêmio, exceto o prêmio de Melhor Roteiro e do Júri que podem ser associados a um prêmio de interpretação;
  • Uma champanheira serve de urna: os membros do júri depositam um pequeno papel dobrado em quatro.

Outros prêmios

Também nesta edição do Festival de Cannes, o filme brasileiro ganhou o prêmio da Crítica. O anúncio foi publicado no Instagram da Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica (Fipresci). Esse prêmio, no entanto, não faz parte da lista oficial – a categoria foi criada por críticos de forma paralela. 

"O Agente Secreto" também levou o prêmio o “Art et Essai”, dos exibidores independentes da França.

Brasil perdeu a Palma de Ouro

O encerramento do Festival de Cannes deste ano se deu premiando "It Was Just an Accident", ou "Un Simple Accident", de Jafar Panahi, com a Palma de Ouro. O iraniano desbancou uma lista com mais de 20 filmes, incluindo o longa de Mendonça Filho.

Com a conquista deste sábado, o iraniano Panahi se sagrou como o cineasta que levou os principais prêmios dos três maiores festivais europeus. Antes de Cannes, ele ganhou o Leão de Ouro em Veneza e o Urso de Ouro em Berlim.



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