Quer saber de onde vem o seu cafezinho? Exposição gratuita traça os 'Caminhos do Café no Ceará'

Mostra está em cartaz no Museu da Indústria, em Fortaleza

Matéria por  Ana Beatriz Caldas
29 de Outubro de 2024 - 09:00
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Com um número crescente de cafeterias e outros espaços gastronômicos que têm como protagonista a bebida mais popular do País, Fortaleza ganhou, neste mês, um novo roteiro para apaixonados por café. Em cartaz no Museu da Indústria, no Centro, a exposição de longa duração “Caminhos do Café no Ceará” traça um panorama da história do café no Estado, desde a chegada dos primeiros grãos, em 1747, até os dias de hoje.

A mostra, realizada em parceria com o Sindicato das Indústrias de Torrefação e Moagem de Café no Estado do Ceará (Sindicafé), destaca a importância da produção cearense para a consolidação do grão como um patrimônio nacional – tanto no sentido econômico quanto em aspectos sociais.

“A gente decidiu trabalhar com o café pelo apelo que o café tem, no sentido afetivo e de memória. Qual é a pessoa que não bebe café todos os dias, né? Difícil”, destaca Patrícia Xavier, responsável pela coordenação educativa do Museu da Indústria. “O café é um pretexto para a gente parar um pouquinho o trabalho, conversar, colocar as ideias em ordem”, comenta.

A mostra conta, passo a passo, como funciona o processo de feitura do café
Legenda: A mostra conta, passo a passo, como funciona o processo de feitura do café
Foto: Ismael Soares

Na mostra, painéis informativos, pinturas, fotografias, mapas e outros objetos históricos e cenográficos buscam dar conta de mais dos mais de 200 anos de história do café no Ceará – do período colonial, em que a exploração era dominante nas grandes produções, ao período atual, em que o Estado se destaca por produções sustentáveis e com foco na qualidade.

“Atualmente, a gente tem retomado o cultivo de um café de sombra, um café ecológico, sustentável, ligado a essas áreas de refrigério que são as serras do Ceará, como o Maciço de Baturité, a Serra Grande e a Serra da Ibiapaba, onde também há produtores de café”, explica Patrícia.

De produto colonial à atrativo turístico

Exposição conta história de mais de 200 anos
Legenda: Exposição conta história de mais de 200 anos
Foto: Ismael Soares

Um dos aspectos mais interessantes da mostra é trazer, de forma informativa e de fácil entendimento, uma história que é cheia de complexidades. Além das crises oriundas por questões climáticas, a produção mundial do café sempre foi cercada por obstáculos políticos – que impactaram, também, as pequenas produções locais.

Originário na região em que hoje está localizada a Etiópia, o café esteve, por muito tempo, sob o domínio dos árabes, que impediam que o grão chegasse a outros pontos do globo para ter vantagem econômica. O monopólio foi quebrado pelos holandeses, que conseguiram ter acesso ao grão e disseminá-lo pelos países colonizados por eles.

Conta-se que o café chegou ao Brasil em 1727, em mudas trazidas pelo sargento Francisco de Melo Palheta, que levou o grão para sua terra natal: Belém, no Pará. Na época, o militar fora incumbido de ir até o Suriname para conseguir, junto ao governo do país, o acesso aos grãos – o que foi negado. Um romance secreto com a esposa do governante da época, no entanto, foi a ponte que precisava para conseguir o feito inédito.

Café cearense é patrimônio econômico e afetivo
Legenda: Café cearense é patrimônio econômico e afetivo
Foto: Ismael Soares

Duas décadas depois, o café chegaria ao Ceará, que passou a ser um dos estados mais importantes na produção e exportação do grão – no século XIX, ocupava o terceiro lugar no País, atrás de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Parte do crescimento do Brasil no ranking de exportadores, porém, devia-se ao uso de trabalho escravo nas plantações – ainda que, segundo Patrícia Xavier, a exploração ocorresse mais fortemente no Sudeste do País.

“Acho importante que a exposição traga isso também”, destaca a coordenadora, citando, entre outras imagens históricas, uma pintura do alemão Johann Moritz Rugendas que demonstra como o cultivo acontecia na época. Importante retrato de erros que não podem ser esquecidos, a imagem ocupa lugar de destaque na exposição.

Os ciclos e crises do café também remontam a períodos históricos importantes, que passam pelo processo de industrialização do Brasil e chegam à reestruturação da produção cearense, atualmente focada no consumo interno e aliada a outros setores do Estado, como empreendedorismo e turismo, a exemplo da Rota Verde do Café, destino de experiência elaborado em parceria Sebrae no início dos anos 2000.

“Agora, o que se prioriza não é a quantidade, é a qualidade da bebida”, pontua Patrícia. “A ideia é que a gente tenha essa bebida com pontuações muito altas, produtores fazendo café de excelente qualidade e agregando valor sim a essa bebida”, completa.

Cafeteria chega ao Museu da Indústria

Depois da exposição, os visitantes podem conhecer tomar um cafezinho na nova cafeteria do museu
Legenda: Depois da exposição, os visitantes podem conhecer tomar um cafezinho na nova cafeteria do museu
Foto: Ismael Soares

Além da exposição, quem visitar o museu pode conferir outra novidade: como parte da mostra, uma cafeteria foi inaugurada no espaço, possibilitando aos amantes de café fazer um passeio completo dedicado à bebida.

No momento, é possível degustar receitas mais simples, como expressos, cappuccinos e lattes. Em breve, porém, a cafeteria deve inaugurar uma carta especial de bebidas, incluindo marcas cearenses “da planta à xícara” e drinks com café.

Serviço
Exposição “Caminhos do Café no Ceará”
Onde: Museu da Indústria (rua Dr. João Moreira, 143 - Centro - em frente ao Passeio Público)
Quando: De terça-feira* a sábado, das 9h às 17h, e aos domingos, das 9h às 13h (último acesso: 30min antes do encerramento)
Acesso gratuito
*Exceto na última terça-feira de cada mês



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