O que é Bololô? Falcão lança música com gíria popular no TikTok

Single e clipe estão disponíveis nas plataformas digitais, entre funk, brega e dance; músico e humorista se une a DJ Ari SL para entregar performance engraçada e envolvente

Escrito por Diego Barbosa diego.barbosa@svm.com.br
03 de Outubro de 2025 - 10:00

Se você nunca ouviu falar, relaxe: Falcão também não conhecia o termo e, mesmo assim, gravou música sobre o tema. “Bololô” é o novo single do artista, disponível desde quinta-feira (2) nas plataformas digitais. Junto a DJ Ari SL, o cearense, um dos maiores nomes da comédia nacional, entrega gaiatice, malemolência e inesperadas reflexões.

Com quase três minutos, a música mistura funk, brega e dance a partir da batida pop-eletrônica irresistível de DJ Ari e, claro, ao carisma sem precedentes de Falcão. A letra – assinada pelo quarteto Gustavo Protásio, João Flores, Matheus Rodrigues e João Dalzoto, do hit “Descer pra BC”, interpretado por Brenno & Matheus – se utiliza de memes como “Que show da Xuxa é esse?” para dialogar diretamente com a audiência, seja ela jovem ou adulta.

Falando em juventude, foi nessa fonte que a produção bebeu a fim de trazer a expressão-título à tona. Segundo Falcão, “bololô”, em bom português, significa festa, balada, bagunça, confusão.

Em algum momento da canção, ele mesmo pergunta: “Que diabo é bololô?”. “É uma gíria da garotada. Quem quer aproveitar, junta todo mundo e vai pro bololô, ou seja, vai para uma festa, uma balada, uma parada qualquer”, explica, aos risos.

Em determinado trecho, a aplicação do termo na frase deixa ainda mais claro o significado: “As novinha tão querendo Iphone, roupa cara e bololô”. Para o cearense, além de toda a energia engraçada, a música tem possibilidade de gerar sutil reflexão sobre o antagonismo entre o velho e o novo, o que passou e o que está em voga. 

“Tem outro detalhe também: não vi o processo de composição, mas os autores pensaram no que tinha acontecido em décadas passadas – algumas coisas, por sinal, não casam com a cronologia. Fala-se em Getúlio Vargas em meados de 1963, mas não pode porque Getúlio morreu antes disso; que o Rio de Janeiro era a capital federal, e em 1963 não era mais”, ri.

Falcão e equipe se inspiraram em linguagem juvenil a fim de trazer a expressão-título à tona
Legenda: Falcão e equipe se inspiraram em linguagem juvenil a fim de trazer a expressão-título à tona
Foto: Divulgação

“Vi todas essas idiossincrasias, esses errinhos, e deixei porque achei interessante. Acho que pode instigar as pessoas a ir atrás para, de fato, saber, ‘será que foi isso mesmo que aconteceu nessa época?’. Não é igual aos bregas que já gravei, nem aos rocks que também já fiz. Está mais para um funk – um gênero tão execrado por certas pessoas. Quis entrar nessa seara”.

Proximidade com a juventude

Em plena forma física e criativa aos 68 anos, Falcão não teme se lançar em projetos como este porque, à medida que tecnologias e novas tendências surgem, ele logo se adequa e chega junto. A presença constante nas diferentes redes sociais e o próprio fato de ter como matéria-prima de trabalho o humor favorecem esse cenário.

“Quando as redes sociais surgiram, fui logo entrando, me enturmando, porque acho que é sempre uma linguagem que tenho que dominar. Resultado: consigo me entrosar perfeitamente com todas as gerações, até mesmo com o público infantil. Tem muita criança no meu fã-clube, e essas crianças foram crescendo a ponto de hoje estar na faixa mais jovem. É muito legal ter essa mistura de faixas etárias em quem me acompanha”, festeja.

Funk, brega e dance se intercambiam na parceria entre Falcão e DJ Ari SL
Legenda: Funk, brega e dance se intercambiam na parceria entre Falcão e DJ Ari SL
Foto: Divulgação

Ao mesmo tempo, reflete sobre a produção de humor por artistas contemporâneos. Para ele, a linguagem do meme, do stand-up e até de uma comédia alinhada a algo mais “esculhambado”, conforme menciona – bastante forte entre as décadas de 1980 e 1990 – podem ser encontrados Brasil afora, algo tão curioso quanto atraente.

Não deixa de ser oportunidade para ele aprender e, mais uma vez, se adaptar. “Faz a gente descer um pouco do pedestal, ficar mais humilde. Sempre tendemos a achar que a geração da gente é que é boa, que a música de hoje é muito ruim e tal. Mas não é assim. Tem muita gente boa fazendo coisa boa, e ensinando. E muita gente ainda não sabe dessa realidade”.

Falcão na MPB

Voltando à música, a proposta é que “Bololô” seja um trabalho entressafra, para movimentar ainda mais a carreira de Falcão – além do segmento musical, o artista tem se dedicado cada vez mais ao cinema, por exemplo. Entre outras produções, é presença confirmada em “O Shaolin do Sertão 2”, continuação de um dos principais sucessos do diretor Halder Gomes.

No quesito novidade, os próximos passos do cearense prometem muito. Um deles é a aposta no segmento da Música Popular Brasileira: quer lançar disco no qual a vertente mais tradicional do cancioneiro nacional entre em evidência. “Uma coisa bem classe A, de Chico, Caetano, Fagner… Vamos ver no que vai dar”, arrisca.

Uma das próximas empreitadas de Falcão deve mergulhar no universo da MPB
Legenda: Uma das próximas empreitadas de Falcão deve mergulhar no universo da MPB
Foto: Divulgação

“Minha principal ideia foi a seguinte: como ninguém aguenta mais funk ruim, piseiro ruim, comecei a pensar o seguinte: ‘O negócio está tão ruim, tão esculhambado, que a maior esculhambação é o Falcão gravar uma coisa séria”, gargalha. “Ainda estamos gravando, devagarinho, bem à vontade, para dar tempo e não atrapalhar nada”.

Até lá, haja bololô para escutar e assistir – um clipe da canção também foi lançado, no mesmo estúdio onde a gravação sonora aconteceu. Jeito totalmente Falcão de brindar o gracejo e a magia de estar neste tempo. “Humor é algo que você pode lançar em qualquer área, até num velório. Os assistentes do velório talvez não gostem, mas o morto vai gostar”. 

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