Morre o xilogravurista J. Borges, aos 88 anos

O falecimento do artista foi confirmado pelo filho dele, nas redes sociais, nesta sexta-feira (26)

Matéria por  Redação
26 de Julho de 2024 - 09:21
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J. Borges, xilogravurista, poeta e cordelista de Pernambuco, morreu nesta sexta-feira (26), aos 88 anos. O falecimento foi confirmado pelo filho do pernambucano, nas redes sociais. 

"Que as boas lembranças se façam presente. Em memória ao nosso mestre J. Borges", escreveu Pablo Borges. O artista morava em Bezerros, no agreste de Pernambuco. 

O Governo de Pernambuco, a Secretaria Estadual de Cultura e a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) manifestaram pesar pelo falecimento do artista. As instituições também relembraram um pouco da trajetória do xilogravurista.

"Em reconhecimento merecido pela sua contribuição com a cultura popular, através da xilogravura e na arte do cordel, J Borges é - eternamente - Patrimônio Vivo de Pernambuco. Com a identidade visual de suas obras atrelada imediatamente às raízes pernambucanas, o artista levou o nome de Bezerros e de Pernambuco ao redor do mundo", disse comunicado.

Familiares relataram ao g1 que o artista faleceu de "causas naturais" por volta de 6h da manhã. 

Em 2019, a vasta produção do artista visual e poeta esteve em cartaz como a mostra "J. Borges 80 anos", na Caixa Cultural Fortaleza.

Governantes manifestam pesar

Nas redes sociais, Raquel Lyra, governadora de Pernambuco, lamentou a morte do artista. 

"A sua grandiosidade permanecerá aqui pelas mãos de seus filhos, discípulos e centenas de xilogravuras que representam tão bem a nossa cultura. Meus pêsames aos familiares e amigos", escreveu no X, antigo Twitter.

Lucielle Laurentino, prefeita de Bezerros, também lamentou a morte de J. Borges. "Foi com J. que aprendemos mais sobre nossos tesouros bezerrenses, sobre nossa arte, sobre viver e sorrir. A nossa lenda, J. Borges, nos deixa hoje. Gratidão por seu legado", disse. 

João Campos, prefeito de Recife, também homenageou o artista. 

"J. Borges gravou na madeira as histórias de um Nordeste realista, fantástico e armorial. Dono de um sorriso largo, era patrimônio de Pernambuco e gênio da cultura popular reconhecido no Brasil e no mundo", publicou no Instagram. 

Quem era J. Borges

Nascido em Bezerros como José Francisco Borges, J. Borges era pintor, cordelista, poeta, xilogravurista. Ele também possui o título de Patrimônio Vivo imaterial de Pernambuco. Em 1999 foi homenageado com a Ordem do Mérito Cultural do Brasil. 

O artista era conhecido como mestre da arte popular brasileira, mesmo só tendo frequentado a escola por um ano. Antes de se entregar a arte, atuou como carpinteiro e pedreiro. 

J. Borges ficou conhecido pela espontaneidade ao fazer gravuras. Antes de começar a fazer gravuras, o pernambucano já escrevia cordéis. Há mais de cinco décadas, J. Borges dialoga sobre o cotidiano do Agreste em seus cordéis, poemas e xilogravuras. O artista também retratava acontecimentos políticos, fatos lendários e curiosos da vida no interior nordestino.

Foi o contemporâneo Mestre Dila, um dos xilogravuristas mais reconhecidos de Pernambuco, quem ilustrou um cordel de J. Borges, a princípio, e estimulou o colega a enveredar pelo desenho na madeira.

J. Borges já ilustrou obras de José Saramago, Eduardo Galeno e outros. Possui trabalhos ao lado de Ariano Suassuna e obras no acervo da Biblioteca Nacional de Washington. Na edição comemorativa dos 400 anos do D. Quixote, de Miguel de Cervantes, o artista realizou uma versão em cordel ao clássico.



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