Morre Maria Augusta, ícone do carnaval do Rio e autora dos enredos 'O Amanhã' e 'Domingo'

A carnavalesca tinha 83 anos

Matéria por  Agência Brasil
12 de Julho de 2025 - 07:35
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A carnavalesca e comentarista de desfiles de escolas de samba Maria Augusta Rodrigues morreu nessa sexta-feira (11), aos 83 anos, no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital São Lucas, em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro.

A causa do óbito foi falência múltipla dos órgãos. Maria estava internada por complicações decorrentes de um câncer na bexiga.

Quem era a carnavalesca Maria Augusta

Nascida em São João da Barra, interior do estado do Rio, Maria Augusta participou de desfiles marcantes, principalmente nas escolas de samba Acadêmicos do Salgueiro e União da Ilha do Governador.

Em 1969, estreou com título no Salgueiro com o enredo Bahia de Todos os Deuses, atuando como assistente de Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues. Voltou a vencer no Salgueiro em 1971, com Festa para um Rei Negro, e em 1974, como auxiliar de Joãosinho Trinta em O Rei de França na Ilha da Assombração.

Deixou a marca de sua obra também na União da Ilha do Governador, onde assinou desfiles como Domingo, em 1977, e O Amanhã, em 1978, com enredos leves e de grande apelo popular. 

Na década de 1980, passou por escolas como Paraíso do Tuiuti e Tradição.

Em 1993, realizou seu último trabalho como carnavalesca na Beija-Flor de Nilópolis, substituindo Joãosinho Trinta no enredo Uni-duni-tê, a Beija-Flor escolheu: é você.

Governador e Neguinho da Beija-Flor lamentam a perda

O governador Cláudio Castro emitiu nota sobre a obra da carnavalesca, formada pela Escola de Belas Artes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“Com profundo pesar, recebo a notícia do falecimento de Maria Augusta Rodrigues, uma das mais brilhantes e criativas personalidades do carnaval. À frente do seu tempo, a professora Maria Augusta ajudou a projetar as escolas de samba para o mundo. Durante décadas, encantou multidões com enredos que marcaram época, como Festa para um Rei Negro, do Salgueiro, e os inesquecíveis desfiles da União da Ilha do Governador.”

No texto, o governador manifesta solidariedade aos familiares, amigos, colegas de profissão e a toda a comunidade do samba. "Sua história de paixão pela cultura popular, pelo ensino das artes e pela beleza dos desfiles é o legado vivo na memória e no coração da população fluminense”, escreveu Castro.

“É com o coração em luto, mas repleto de gratidão, que nos despedimos hoje de Maria Augusta Rodrigues, uma das maiores carnavalescas da história, salgueirense de alma e a última viva da geração que transformou para sempre o desfile das escolas de samba”, diz nota divulgada pela Acadêmicos do Salgueiro.

Segundo a escola, mais que uma artista genial, Maria Augusta foi uma revolução inteira.

"Esteve ao lado de nomes como Fernando Pamplona, Arlindo Rodrigues, Joãosinho Trinta e Rosa Magalhães no momento mais audacioso e criativo da nossa história. Foi ali, no Salgueiro dos anos 60, que ela ajudou a reinventar o Carnaval. Com inteligência, elegância e ousadia, fez do desfile uma verdadeira aula de brasilidade, beleza e potência cultural.”

Neguinho da Beija Flor também manifestou pesar pela morte da carnavalesca e amiga.

” Recebi com muita tristeza a notícia do falecimento da minha grande amiga Maria Augusta. Uma mulher incrível, que deixou sua marca na história da Beija-Flor com carnavais inesquecíveis. Que Deus te receba em um plano de luz e conforte o coração de todos os familiares e amigos. Descanse em paz, minha amiga querida. Seu legado jamais será esquecido”, afirmou o cantor.



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