Do abacaxi adocicado ao acarajé: Comidas das ruas do Centro de Fortaleza marcam o paladar da cidade

Vendidas em carrinhos estacionados nas ruas há mais de 30 anos, algumas comidas já fazem parte da vivência no Centro de Fortaleza; confira guia para saborear

Matéria por  Lívia Carvalho
12 de Agosto de 2022 - 14:00
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Se o Centro respira história e movimento, tem cheiros ainda mais característicos que não saem do olfato de quem frequenta o bairro. Pelas ruas, entre prédios e pessoas, tem comida para todo sabor. Seja o acarajé da dona Iêda, que há 30 anos conquista quem passa pela Praça do Ferreira, ou o abacaxi sempre docinho do seu Antônio, que já faz parte do cruzamento das ruas Floriano Peixoto e Senador Alencar. 

O Diário do Nordeste preparou um guia com algumas das iguarias mais tradicionais do local e onde você pode saborear as delícias na sua próxima visita ao bairro. Confira: 

Cuscuz e pão na chapa  

Nosso tour começa com as opções de lanches e café da manhã para quem chega cedinho. Logo ali na Rua Princesa Isabel, por trás do Beco da Poeira, tem o carrinho do Pernambuco Lanches.  

Natural de Pernambuco, Alexandre Rafael, de 34 anos, é o responsável pelo preparo dos alimentos e conta que o movimento já começa cedo, desde 6h e vai até 10h. Depois, retorna no período da tarde, de 14h às 16h.  

Natural de Pernambuco, Alexandre vende lanches no Centro há quase 10 anos
Legenda: Natural de Pernambuco, Alexandre vende lanches no Centro há quase 10 anos
Foto: Thiago Gadelha/SVM

“Tô aqui há nove anos, no mesmo ponto. Muita gente vem todo dia, pessoal que trabalha por aqui, muito turista. Enfraqueceu um pouco depois da pandemia, mas agora tá melhorando”.  

No carrinho, tem cuscuz, pão na chapa, tapioca, bolo, bruaca e, claro, o cafezinho, com preços variados. A tapioca, por exemplo, é a partir de R$ 1,50, o cuscuz vai de R$ 4 a R$ 8 a depender do recheio.  

Onde encontrar: Rua Princesa Isabel, por trás do Beco da Poeira  

Coco gelado 

Outro item que não pode faltar nas andanças pelo Centro é a água de coco geladinha para refrescar. Perto do carrinho do Alexandre, fica Nonato Raimundo, de 44 anos. Desde os 15 anos, ele trabalha pelo Beco da Poeira e há uns três começou a vender coco.  

Água de coco gelada vendida por Nonato perto do Beco da Poeira
Legenda: Água de coco gelada vendida por Nonato perto do Beco da Poeira
Foto: Thiago Gadelha/SVM

“Não tem outro trabalho né, eu vivo disso e, no Centro, é onde tudo acontece. É um bom ponto, pessoal que tá no beco desce e vem tomar coco”.  

A água de coco do Seu Nonato custa R$ 2,50.   

Onde encontrar: Rua Princesa Isabel, por trás do Beco da Poeira 

"Ei, Açaí"  

É assim que dona Fátima Araújo, de 66 anos, é chamada. Há cinco anos ela começou a vender a iguaria paraense nas ruas do Centro. O carrinho, montado na rua 24 de Maio, em frente ao Esqueleto da Moda, tem açaí de 9h às 17h.  

Dona Fátima vende açaí na rua 24 de Maio há cinco anos
Legenda: Dona Fátima vende açaí na rua 24 de Maio há cinco anos
Foto: Thiago Gadelha/SVM

“Tem movimento o dia inteiro. Gosto do Centro porque não vendo fiado e, se eu trabalhar no bairro, sempre aparece quem queira comprar pra pagar depois e eu só trabalho com Pix e dinheiro”.  

O preço da porção vai de acordo com o tamanho da fome do cliente, varia de R$ 4 a R$ 10. “Dependendo do cliente, vai até R$ 15”. É possível ainda acrescentar complementos, como granola, confeitos de chocolate e mais.  

Onde encontrar: Rua 24 de Maio, em frente ao Esqueleto da Moda  

Cachorro-quente completão

Comida de rua e cachorro-quente são quase sinônimos e, no Centro, não seria diferente. Desde 2008, Damião de Oliveira, de 47 anos, vende hot dogs também na 24 de maio, de 5h às 17h.  

É possível encontrar o cachorro-quente do Damião na rua 24 de Maio
Legenda: É possível encontrar o cachorro-quente do Damião na rua 24 de Maio
Foto: Thiago Gadelha/SVM

No carrinho, é possível comprar ainda pasteis e bolo. Os cachorros-quentes de Damião são repletos de recheio e ao gosto do freguês. Salsicha, carne moída, maionese, ketchup, batata palha.  

O hot dog custa R$ 5, com suco fica R$ 6 e com o refrigerante fica R$ 7,50.  

Onde encontrar: Rua 24 de Maio  

Abacaxi cortado 

Mas é claro que na nossa lista não poderia faltar o abacaxi docinho e já cortado. “É o melhor abacaxi do Ceará”, garante Seu Antônio Mendes, de 66 anos. “Compro na Ceasa e eles têm que primeiro passar pela minha mão pra saber se é bom. Eu tenho experiência”.  

Seu Antônio vende abacaxis cortados há mais de 30 anos no Centro
Legenda: Seu Antônio vende abacaxis cortados há mais de 30 anos no Centro
Foto: Thiago Gadelha/SVM

E há 35 anos a fórmula de Seu Antônio funciona. “Escolhi vender no Centro porque no bairro residencial não presta, aí vim fazer uma experiência e colou. Muita gente procura, tenho freguês de todo canto do Brasil que vem me procurar”.  

Além da fruta já cortada para consumo imediato, ele também vende o abacaxi inteiro, por R$ 7, já as fatias no copinho custam R$ 3.  

Onde encontrar: cruzamento das ruas Floriano Peixoto e Senador Alencar  

Almoço no PF

Quem estica o passeio, tem ainda a opção do almoço. Próximo à Praça do Ferreira, na rua Pedro Borges, o PF (prato feito) da Juliana Oliveira tem feito sucesso. Com cardápio que varia todo dia, o pratinho tem dois tamanhos, o menor custa R$ 7 e o maior R$ 10.  

Juliana vende os pratos feitos para almoço na rua Pedro Borges
Legenda: Juliana vende os pratos feitos para almoço na rua Pedro Borges
Foto: Thiago Gadelha/SVM

Juliana conta que é ela a responsável pelo preparo dos alimentos e acorda às 4h para deixar tudo pronto. 

“Tem seis meses que comecei a vender aqui por conta da movimentação, é mais agitado por aqui, tem sempre um fluxo bom de pessoas”.  

Onde encontrar: rua Pedro Borges, próximo à Praça do Ferreira  

Acarajé da cearense 

Quem vai se aproximando da Praça do Ferreira, próximo à Pastelaria Leão do Sul, já sente o cheiro do óleo de dendê no fogo. Tradicional há 34 anos no Centro, o Acarajé da Iêda resgata o sabor do tempero baiano.  

Acarajé da Iêda é vendido em três opções
Legenda: Acarajé da Iêda é vendido em três opções
Foto: Thiago Gadelha/SVM

Iêda Gonçalves, de 58 anos, conta que aprendeu a fazer os acarajés com a sogra, que, segundo ela, foi a primeira baiana a vender a iguaria em Fortaleza. “Ela precisou ir embora pra Paraíba, eu e meu esposo assumimos e ficamos aqui na Praça da Ferreira”. 

Hoje, ela, o marido e o filho trabalham no carrinho. “É o nosso pão de cada dia e é abençoado. Moramos em Caucaia e todo dia fazemos essa viagem”.  

Entre as opções, tem o tradicional (R$ 15), o especial (R$ 18) que leva dois tamanhos diferentes de camarão e o com o camarão grande (R$ 17).  

Onde encontrar: Praça do Ferreira, em frente à Pastelaria Leão do Sul  



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