Conheça as canções essenciais de Jards Macalé, como ‘Vapor Barato’

Músico, ícone da contracultura brasileira, morreu nesta segunda-feira (17), no Rio, aos 82 anos.

Matéria por  Redação
17 de Novembro de 2025 - 21:14
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"Morreu nesta segunda-feira (17), no Rio de Janeiro, o cantor e compositor Jards Macalé, aos 82 anos. Apelidado de “anjo torto” da MPB, ele construiu uma das obras mais inventivas e indomáveis da música brasileira, eternizada nas vozes de Gal Costa, Maria Bethânia e tantos outros intérpretes.

Chamado de “maldito” por não se ajustar a rótulos ou modismos, Macalé fez da insubmissão sua estética. Em parceria com nomes como Wally Salomão, Torquato Neto, Capinam e Duda Machado, transitou entre poesia marginal, experimentação, lirismo e provocação política. Musicou de Ezra Pound a Gregório de Matos, e fez da própria carreira um manifesto de liberdade.

A seguir, veja algumas das canções de Jards Macalé:

"Vapor Barato"

Parceria com Wally Salomão, tornou-se um hino da contracultura brasileira. Lançada no show Fa-Tal, de Gal Costa, ganhou vida própria em regravações de Bethânia a O Rappa.

"78 Rotações"

Composta com Capinam, a faixa dialoga com a memória dos antigos discos e já foi interpretada por artistas como Alceu Valença e Criolo.

"Hotel das Estrelas"

Parceria com Duda Machado, entrou no repertório de Gal Costa no álbum Legal (1970), fase em que a cantora mergulhava definitivamente no experimentalismo.

"Farinha do Desprezo"

Outra dobradinha com Wally Salomão, marca o lado mais politizado e contestador de Macalé. Foi revisitada por Emanuelle Araújo em seu álbum dedicado ao artista.

"Mal Secreto"

Um clássico da estética underground dos anos 1970 — mais uma parceria com Salomão. Ganhou interpretações de Gal, Bethânia, Calcanhotto, Céu e outros nomes.

"Gotham City"

Apresentada no Festival Internacional da Canção de 1969, virou símbolo de sua veia provocadora. A performance — que arrancou uma “vaia consagradora” — denunciava os horrores da ditadura.

"Só Morto"

Lançada em compacto em 1970, antecipa a “morbeza romântica” que Macalé desenvolveria nos anos seguintes. Revisada no disco Jards (2011), é uma explosão de imagens e experimentação.

"Soluços"

Gravada no mesmo compacto de "Só Morto", a canção foi redescoberta por uma nova geração e virou peça central da homenagem feita por Emanuelle Araújo em 2020.

"Movimento dos Barcos"

Com Capinam, Macalé compôs um dos seus raros sucessos populares. Lançada por Maria Bethânia no espetáculo Rosa dos Ventos, fala de desilusões em plena ditadura.

"Pano pra Manga"

Parceria com Xico Chaves, de 1983, mistura samba, ditos populares e a irreverência que sempre pautou sua obra. Reafirma Macalé como figura central da invenção musical brasileira.



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