Cantores debatem dificuldades da música nordestina em Fortaleza

Músico reclamam da ausência de músicas históricas em rádios e de letras

Matéria por  João Lima Neto
30 de Outubro de 2018 - 19:54

A Escola de Música do Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ) recebeu, nesta terça-feira (30), grandes nomes para uma roda de conversa e aula show sobre a música nordestina no cenário atual. Waldonys, Rita de Cássia, Nonato Lima, Pingo de Fortaleza, Adelson Viana, Orlângelo Leal, Tião Simpatia, Hoto Júnior, Pedro Madeira e Mona Gadelha contaram experiências de vida para alunos da instituição. Durante a discussão, os cantores falaram sobre a ausência de composições históricas em rádios e da qualidade do atual forró. 

"Eu sou um pouco cobrado para tomar posicionamento sobre isso. O que hoje nós conseguimos enxergar facilmente é que a indústria que move a música, às vezes, se perde no tempo. Existe uma questão que chamo de fast-food da música. É rápido e repentino. Não é hoje e nem amanhã. Essa parte comercial que envolve a indústria musical é desse jeito. A letra tem que estourar em uma semana. Na outra, já tem que pensar em outra coisa. O problema é que a composição não fica. Você ouve uma letra da Rita de Cássia e ela é atemporal", declarou Waldonys no debate. 

O sanfoneiro concluiu a participação comentando sobre as atuais letras do forró. "Escrever é algo divino. Nâo é coisa de se fabricar. As pessoas hoje transformaram em produto, como papel higiênico. A gente trabalha com arte. Temos que vender, eu vivo de música. Tenho três filhos para criar, mas eu tenho meus principios. Ñâo posso me trair e nem trair o público".

Mídia

A compositora Rita de Cássia lembrou a ausência de composições de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira das rádios. " Aqui no debate foi falado do Pixinguinha, mas as crianças sabem quem foi Luiz Gonzaga? Eu cresci vendo meu pai tocando. Eu tive essa felicidade. Cheguei a conhecer Dominguinhos. São sementes que nós podemos plantar nessas crianças. Eles escutam Wesley e Xand porque é o que toca no rádio. Os nossos mestres, que tem a verdadeira essência da cultura, vão ficar esquecidos se não houver esse trabalho". 

O evento realizado no CCBJ faz parte do calendário letivo dos alunos e alunas de prática de conjunto, musicalização, violão e técnica vocal da Escola de Música, que pesquisam atualmente a música nordestina, em especial os artistas cearenses.



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