Mulher morre após se submeter a 'harmonização de bumbum' em Pernambuco; médico responsável tem clínica em Fortaleza

O procedimento foi feito pelo médico Marcelo Alves Vasconcelos. O profissional tem registro no Rio de Janeiro, mas também atua no Ceará e em São Paulo

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
14 de Janeiro de 2025 - 15:08
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Uma mulher de 46 anos morreu após se submeter a um procedimento vendido como "harmonização de bumbum", em Recife, Pernambuco. Adriana Barros Lima Laurentino foi encontrada sem vida no banheiro da própria casa. Segundo familiares, ela reclamou de dores intensas logo após ser liberada pela clínica responsável pela cirurgia.

O procedimento foi feito pelo médico Marcelo Alves Vasconcelos. Ele é registrado profissionalmente no Rio de Janeiro, mas tem autorização dos conselhos de classe para atuar, também, em São Paulo e no Ceará — ele só não tem permissão cedida pelo Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe).

No Ceará, Marcelo atende em uma das filiais da clínica Bodyplastia, a mesma em que Adriana fez a "harmonização" dos glúteos em Recife — o estabelecimento está localizado na Aldeota, zona nobre de Fortaleza. Contudo, também há registros de que o médico atende na clínica Dr. Brasil, em Itapajé, no Vale do Curu, onde é sócio.

O Diário do Nordeste tentou contato com Marcelo Vasconcelos por meio do telefone da clínica em Fortaleza e ainda não recebeu retorno. O espaço segue aberto.

O que aconteceu?

De acordo com a família de Adriana, que concedeu entrevista ao g1, o procedimento feito por Marcelo utilizou polimetilmetacrilato, uma substância conhecida como PMMA.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirma que o produto não é contraindicado para aplicação nos glúteos "para fins corretivos". No entanto, diz que "não há indicação [de uso] para aumento de volume, seja corporal ou facial".

Conforme o atestado de óbito da vítima, Adriana morreu de "choque séptico" e "infecção no trato urinário". "Como uma pessoa em plena saúde, após um procedimento, em poucas horas, acaba morrendo? A gente está sofrendo muito. O filho dela é muito grudado com ela, ele está em choque. [...] Era uma pessoa cheia de sonhos, se cuidando. [A aplicação de PMMA] É um procedimento caro e que acabou acabando com a vida da minha prima", comentou a familiar Rita de Cássia, em entrevista à TV Globo.

Uma fiscalização feita pelo Cremepe na Bodyplastia de Recife, a clínica onde Adriana fez o procedimento no último sábado (10), constatou que o local não é adequado para o tipo de intervenção feita. Além disso, o órgão reforçou que Marcelo não tem registro no estado. 

PMMA

Em novembro do ano passado, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) se posicionou contrária ao uso de PMMA injetável em procedimentos médicos e, inclusive, pediu à Anvisa que banisse o material. 

"Por todos os estudos e guidelines, infere-se que o PMMA é um material não reabsorvível e permanente, que apresenta complicações frequentemente observadas anos após sua aplicação, incluindo formação de nódulos, granulomas, processos inflamatórios crônicos, embolias, necroses teciduais, infecções persistentes, hipercalcemia, insuficiência renal, deformidades irreversíveis e até mortes", alegou a instituição.



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