Chuva de meteoros: entenda o que é o fenômeno astronômico

Em meio a crenças antigas da sociedade, hoje a Ciência já consegue explicar o evento que ilumina o céu

Escrito por Carol Melo e Milenna Murta* producaodiario@svm.com.br
19 de Setembro de 2025 - 12:00
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A chuva de meteoros é um evento astronômico amplamente conhecido por iluminar o céu noturno, preenchendo-o com linhas finas e cintilantes.

Com o espaço sideral sendo vasto e repleto de mistérios, crenças místicas, por muito tempo, foram utilizadas para explicar esses fenômenos. A prática de fazer pedidos para estrelas cadentes, por exemplo, está enraizado na sociedade há diversas gerações. Mas a Ciência mostra que essas "estrelas" podem estar relacionadas aos meteoros.

Mesmo há bilhões de anos, os meteoros já marcavam presença na atmosfera do planeta. O evento mais conhecido, possivelmente, seja do asteroide que extinguiu os dinossauros e distorceu a meteorologia da Terra.

A seguir, o Diário do Nordeste reúne respostas a muitas dúvidas sobre as chuvas de meteoros. Confira!

O que é um meteoro?

Os meteoros são fenômenos luminosos que surgem na atmosfera terrestre, conforme o astrônomo amador Lauriston Trindade**, membro da Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros (Bramon). Eles são gerados quando uma rocha espacial adentra, em alta velocidade, as primeiras camadas gasosas do planeta, através da compressão adiabática.

Fenômeno é visto a olhu nu durante as noites limpas e escuras
Legenda: Fenômeno é visto a olhu nu durante as noites limpas e escuras
Foto: Yasser Al-Zayyat/AFP

O especialista detalha que o fenômeno ocorre porque o ar atmosférico não tem tempo de “sair da frente” do corpo sólido, sendo intensamente comprimido por um curto período, o que faz a temperatura do ar subir rapidamente.

Essa elevação transforma o estado gasoso em plasma, ionizando os átomos das moléculas comprimidas e fazendo o corpo sólido brilhar com intensidade. É esse brilho que ajuda os olhos humanos a ver o meteoro.

O que é chuva de meteoros?

Uma chuva de meteoros é nada mais que diversas pequenas rochas espaciais adentrando a atmosfera em alta velocidade, explica o especialista. 

As trilhas de poeira espacial, em geral, vão seguir uma órbita. Quando a Terra cruza o caminho desses corpos rochosos, ocorre o eventual fenômeno.

Qual a origem das nomenclaturas de cada chuva de meteoros?

As chuvas de meteoros são nomeadas com base no ponto do céu onde esse fenômeno parece surgir.

Perseidas, Líridas, Leonídeas e Geminídeas são alguns dos nomes mais populares, inspirados nas constelações em que os meteoros aparentam se originar, como a constelação de Perseus, Lira, Leão e Gêmeos.

O que tem dentro de um meteorito?

Por serem rochas espaciais, os meteoritos podem ter formação rochosa ou metálica, variando entre diversas classes e subdivisões.

Alguns meteoritos podem ser maiores, mas sua maioria não têm grandes registros de impactos
Legenda: Alguns meteoritos podem ser maiores, mas sua maioria não têm grandes registros de impactos
Foto: Yasin Akgul/AFP

De acordo com o astrônomo, os meteoritos classificados como rochosos são compostos por carbonato. Já os metálicos podem conter variados componentes, mas, em sua maioria, há a presença de ferro e níquel.

Quais as condições para conseguir assistir a uma chuva de meteoros?

As chuvas de meteoros podem ser vistas a olho nu e sem necessidade de quaisquer equipamentos. Entretanto, conforme explica Lauriston, há algumas condições meteorológicas necessárias para que o fenômeno possa ser assistido, como céu limpo e escuro, desobstruído e longe das fortes luzes das cidades.

Essas chuvas também podem ocorrer no período matutino, porém elas só conseguem ser detectadas por radar ou rádio, pois a luz solar ofusca os corpos rochosos da visão humana.

Veja qual é a diferença entre meteoro, meteoroide, meteorito, asteroide e cometa

Meteoro

Os meteoros são fenômenos luminosos que acontecem no céu e entram na atmosfera da Terra. Em sua maioria, eles se originam de resíduos de cometas. Entretanto, a chuva de meteoros Geminídeas, por exemplo, surge de fragmentos de asteroides.

Meteoroide

O meteoroide é nada mais que a partícula sólida que originará o meteoro. Antes de atingir a camada mais externa da atmosfera, o corpo sólido é nomeado de meteoroide, que será vaporizado para um meteoro quando começar a compressão adiabática.

Meteorito

O meteorito é o sólido que sobrevive à entrada na atmosfera e atinge a superfície da Terra.

Ou seja, os três termos se referem ao mesmo objeto em fases diferentes do fenômeno. As rochas espaciais são meteoroides que, ao cruzar sua órbita com a Terra, são vaporizados em meteoros. Os detritos que atingirem a superfície terrestre passam a ser chamados de meteoritos.

Asteroide

Em geral, asteroide é a nomeação para qualquer meteoroide com mais de 1 metro de diâmetro. A maioria desses corpos rochosos está situada no chamado "cinturão de asteroides", localizado entre Marte e Júpiter.

Cometa

Os cometas são uma classe de corpos espaciais que, ao se aproximar do Sol, têm seu material derretido e lançado ao espaço. Esse fenômeno fará o vento solar empurrar o gás e a poeira do corpo sólido para longe do sol, originando a famosa cauda do cometa.

Dá para saber quando um meteoro vai cair na Terra?

Em sua grande maioria, os meteoros são aleatórios e imprevisíveis.

Em 2033 é esperado um grande espetáculo da chuva Leonídeas
Legenda: Em 2033 é esperado um grande espetáculo da chuva Leonídeas
Foto: Yasin Akgul/AFP

As possibilidades de detectar um corpo rochoso antes do impacto com a Terra só são possíveis caso o objeto seja relativamente grande, afirma o especialista. Em todo o planeta, menos de 10 eventos foram detectados antes de atingirem a superfície terrestre.

No Brasil, é possível observar os fenômenos mais voltados para o hemisfério sul do planeta. O Ceará, por estar próximo à Linha do Equador, tem uma posição estratégica de observação e consegue visualizar 96% da esfera celeste. Apenas 1% das chuvas de meteoros catalogadas não está visível no Estado.

A chuva de meteoros pode ser perigosa?

Fique tranquilo, pois a chance de sermos atingidos por um meteorito é bem menor do que a de ganhar na Mega-sena!

As partículas que compõe uma chuva de meteoros são, em geral, menores que 1 centímetro. O astrônomo explica, portanto, que o fenômeno é capaz de causar o brilho no céu, mas os corpos sólidos não chegam a atingir o solo.

Eventualmente, algumas rochas podem ter diâmetros maiores, porém, as chuvas catalogadas por especialistas não têm grandes registros de impactos.

Entenda o que acontece se um meteoro cair na Terra

Os meteoroides que adentram a atmosfera do planeta são, em sua maioria, pequenos, e enfrentam a proteção da atmosfera antes do impacto. Dependendo do tamanho, eles são vaporizados por inteiro antes de atingirem o solo.

Agora, rochas espaciais maiores podem causar impactos mais sérios. Lauriston Trindade afirma que elas criam o chamado “boom sônico”, um barulho estrondoso produzido quando um objeto se move pelo ar mais rápido que a velocidade do som. Isso ocasiona as ondas de choque, que podem gerar danos a construções próximas à queda e machucar pessoas e animais.

Rochas com as dimensões necessárias para esses prejuízos, felizmente, não estão em rota de colisão com a Terra. Com o avanço da tecnologia, o monitoramento de potenciais impactos também vem sendo ampliado.

Como explicar o fenômeno conhecido como 'estrela cadente'?

Apesar da crença popular e mística por trás das estrelas cadentes e de seus supostos desejos, elas não passam de uma outra nomeação para os meteoros.

A tradição de fazer um pedido para a estrela cadente é popular até os dias de hoje
Legenda: A tradição de fazer um pedido para a estrela cadente é popular até os dias de hoje
Foto: Ye Aung Thu/AFP

O termo, na verdade, veio de uma das diversas interpretações sobre o fenômeno astronômico ao longo dos séculos, explica Lauriston. Na antiguidade, alguns acreditavam que a chuva de meteoros eram estrelas caindo na Terra. Por isso o nome "estrela cadente".

Porém, essa é apenas uma das explicações dadas ao longo dos séculos. Alguns povos imaginavam que os meteoros eram originados de rochas expelidas por vulcões distantes e estavam apenas caindo em regiões próximas. Outros diziam que os corpos sólidos eram almas que estavam retornando para reencarnar.

Hoje, a Ciência consegue explicar o fenômeno sem maiores confusões, mas a tradição de fazer um desejo para a estrela cadente continua firme no imaginário popular.

Qual foi a chuva de meteoros mais longa do mundo?

Conhecida como “O dia que as estrelas caíram”, a maior chuva de meteoros aconteceu em novembro de 1833. Nomeada de Leonídeas, estima-se que a taxa de ocorrência de meteoros chegou a 100 mil por hora

Na época, os observadores, assustados, acreditavam que o fim do mundo estava começando. Apesar de a chuva se repetir todo mês de novembro, não houve nenhuma tão intensa após essa data.

Segundo o astrônomo, em 2033 é esperado um grande espetáculo dessa chuva, e ele será plenamente visível no Brasil.

Quanto tempo dura, em média, uma chuva de meteoros?

A Terra demora, em média, 20 dias para atravessar uma trilha de poeira espacial, responsável pela chuva. Entretanto, conforme explica o especialista, a frequência de meteoros é baixa durante esse período de pico. Geralmente, dura apenas algumas horas.

Perseidas, Líridas, Leonídeas e Geminídeas são algumas das chuvas de meteoros mais populares
Legenda: Perseidas, Líridas, Leonídeas e Geminídeas são algumas das chuvas de meteoros mais populares
Foto: Apu Gomes/AFP

Perseidas, uma das chuvas de meteoros mais conhecidas, fica visível a partir do meio de julho. Apesar de ser possível detectar alguns corpos rochosos no céu noturno nesse período, seu máximo acontece em poucas horas, por volta de 13 de agosto.

Quando será a próxima chuva de meteoros no Brasil?

A grande maioria das chuvas de meteoros tem baixa taxa de ocorrência no Brasil. Apesar disso, existem centenas de chuvas anuais, sendo as mais conhecidas: Líridas, Eta Aquáridas, Perseidas, Oriônidas, Leonídeas e Geminídeas. Em outubro, será o período da chuva Oriônidas, com pico previsto para o dia 20 do mês.

**Lauriston Trindade, astrônomo amador, membro da Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros (Bramon).

*Estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Lazari.



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