Suspeito pela morte de delegada na Bahia inventou sequestro e usou cinto de segurança em assassinato

Acusado afirmou ter enrolado cinto de segurança no pescoço da vítima para parar agressões durante briga

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
13 de Agosto de 2024 - 10:48
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Suspeito de matar Patrícia Neves Jackes Aires, o companheiro da delegada admitiu ter mentido ao afirmar que os dois haviam sido sequestrados. Em depoimento, prestado nessa segunda-feira (12), Tancredo Neves contou que, na verdade, enrolou um cinto de segurança no pescoço da vítima, como forma de se defender contra supostas agressões durante um desentendimento. 

De acordo com informações do g1, o relato foi dado às autoridades da 37ª Delegacia Territorial da Bahia, em Salvador. Durante o testemunho, o acusado desmentiu a versão contada inicialmente.

Primeira declaração

Inicialmente, Tancredo contou ter saído de Santo Antônio de Jesus, cidade onde a vítima morava, na companhia de Patrícia, por volta da meia-noite de domingo (11). O casal viajaria até a capital baiana.

Ao passar pela praça de pedágio do município de Amélia Rodrigues, os dois teriam sido abordados e sequestrados por três indivíduos, e, posteriormente, obrigados a realizar transferências bancárias.

Após as movimentações, o acusado foi liberado às margens da rodovia, enquanto a companheira continuou no carro com os criminosos, ainda segundo o relato inicial do suspeito.

NOVO DEPOIMENTO

Na nova versão, Tancredo disse que a delegada ficou alcoolizada após o casal sair para beber em um estabelecimento em Santo Antônio de Jesus. Na saída do local, ela decidiu viajar até Salvador para comprar roupas.

Durante a viagem, o suspeito afirmou que o relacionamento dos dois precisava ser repensado. Desaprovando o comentário, Patrícia teria se descontrolado e feito ameaças de morte contra a família e a filha dele.

Segundo Tancredo, ela perdeu o controle do carro durante o desentendimento, o que provocou a colisão do veículo contra uma árvore. Em seguida, a delegada teria passado a agredi-lo.

Neste momento, o suspeito enrolou o cinto de segurança no pescoço da companheira. Segundo ele, a intenção do movimento não era matá-la, mas parar os golpes.

Tancredo saiu do carro e chamou a polícia após notar que Patrícia havia perdido a consciência. Ainda de acordo com o depoimento, o acusado não sabia que a companheira estava morta.

Após a audiência de custódia, o acusado teve a prisão em flagrante convertida em preventiva.

DENÚNCIAS DE AGRESSÃO

Durante o depoimento, Tancredo admitiu a ocorrência de agressões verbais durante o relacionamento com Patrícia, mas negou qualquer episódio de violência física ou sexual.

Apesar da alegação, o suspeito chegou a ser preso em flagrante por agredir a delegada, em maio deste ano. Sobre a ocorrência, Tancredo afirmou que a companheira se machucou ao cair sozinha, disse ter provado inocência no caso, e destacou que a vítima retirou a medida protetiva de urgência que havia pedido contra ele.

Antes do relacionamento com Patrícia, no entanto, o homem já contava com diversas denúncias e processos contra ele, apresentados por outras mulheres com quem se relacionou. Tancredo nega as agressões em todos os casos.

Ao ser questionado pela polícia sobre as queixas, o acusado alegou “xingar muito”.

ENTENDA O CASO

Patrícia foi encontrada morta dentro do próprio carro nesse domingo (11), em São Sebastião do Passé, na Região Metropolitana de Salvador. A delegada tinha 39 anos e seu corpo estava no banco do carona, segundo a Polícia Civil da Bahia (PC-BA).

Tancredo foi preso em flagrante por ser o principal suspeito do crime. Juntos há quatro meses, os dois se casariam nesta quarta-feira (14).



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