Professora universitária da Bahia diz ter sido assediada sexualmente em voo internacional

Conforme relato da passageira, o comissário de bordo a tratou com descaso e não acreditou em sua palavra

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
24 de Agosto de 2023 - 21:23
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A mestra de capoeira da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Carolina Magalhães, de 45 anos, diz ser vítima de assédio durante um voo, quando um passageiro se masturbou ao seu lado. Ao denunciar o caso ao comissário de bordo, ele não acreditou nela. 

"No dia 08 de agosto de 2023, em vôo da Emirates (EK-261) para São Paulo fiz reclamação ao comissário de bordo da empresa de transportes aéreos de um passageiro que estava se masturbando ao meu lado. O comissário de bordo pôs em dúvida o referido episódio, deu mais ênfase ao nervosismo do meu esposo diante do episódio e ainda exigiu que eu mantivesse distância e total ausência de contato com o referido importunador durante as 8h restantes de vôo", escreveu nas redes sociais. 

Em entrevista ao Diário do Nordeste, a servidora pública Brisa Carvalho, filha de Carolina, contou sobre o sentimento de impotência que a família passa neste momento. 

"A nossa família tá muito apavorada e com medo. As pessoas não validam a palavra da vítima. Nesse caso, que a gente só tem a palavra dela, e o testemunho de quem viu. A gente fica com medo, acoada. Já estamos recebendo várias retaliações de pessoas que não nos conhecem", contou. 

Brisa contou ainda que a mãe já realizou um Boletim de Ocorrência na Delegacia Digital de São Paulo.

Ao g1, a Polícia Civil informou que o caso foi encaminhado a Polícia Federal. Já a empresa Emirates disse, em nota, que tem como prioridade a segurança e o bem-estar de seus passageiros. Alegou ainda que a tripulação é treinada para lidar com qualquer comportamento adverso a bordo. 

Ainda segundo eles, não houve nenhum tipo de pedido da passageira ou autoridades, entretanto, está à disposição para colaborar com qualquer informação. 

Carolina costuma pegar esse voo pelo menos uma vez ao ano para visitar a filial do grupo de capoeira na qual faz parte. "Não é algo tão corriqueiro, mas existe um medo. Ela vai voar novamente pela Emirates. Ela tem medo de sofrer algum tipo de retaliação ao denunciar companhia áerea e criar essa desavença com uma empresa tão grande", explicou a servidora.

'A impunidade, sentimento de voz calada'

Ainda conforme o relato de Carolina, o assédio que sofreu reúne traços típicos de machismo estrutural. 

"Situações como estas reúnem sempre os mesmo atributos: palavra do homem validada em detrimento da palavra da vítima feminina; preocupação majoritária com os prejuízos trazidos a honra do homem em detrimento dos traumas causados a vítima direta da importunação sexual; sentimentos e consequências morais e emocionais completamente ignoradas; nenhum apoio moral e emocional por parte dos superiores da empresa responsável", escreveu em publicação.

Brisa disse que a família ficou em choque ao saber o que tinha acontecido no voo. "Quando ela chegou e relatou o que aconteceu, a gente ficou em estado de choque em virtude de como aconteceu. A impunidade, sentimento de voz calada, sobretudo quando acontece com a mulher", contou Brisa.



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