Vizinhos ouviram enfermeira vítima de feminicídio em Fortaleza gritar 'me solta, vai me matar'

O suspeito teve a prisão preventiva decretada pela Justiça Estadual, na última quinta-feira (10). O irmão dele abriu a casa e encontrou a cunhada morta

Matéria por  Messias Borges
11 de Julho de 2025 - 10:21
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A enfermeira Clarissa Costa Gomes, de 31 anos, morta a facadas em Fortaleza, na última quarta-feira (9), ainda tentou resistir às agressões do namorado e gritou "me solta, vai me matar". O suspeito de feminicídio, o gestor ambiental Matheus Anthony Lima Martins Queiroz, 26, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça Estadual, na última quinta (10).

Conforme documentos obtidos pela reportagem, vizinhos de Clarissa viram ela e Matheus chegarem juntos na casa da vítima, por volta de 13h30 da última quarta. A enfermeira morava com a mãe, na Rua 4, no Campo dos Ingleses, bairro Jardim Cearense.

Um vizinho contou à Polícia Civil do Ceará (PCCE) que, por volta de 15h20, ouviu gritos de uma voz feminina. Ele tentou se aproximar e ouviu uma mulher gritar "me solta, vai me matar". Outra vizinha ouviu a vítima gritar o nome "Matheus" duas vezes e uma batida no chão.

Cerca de 10 minutos depois, os vizinhos de Clarissa Gomes viram Matheus Anthony sair da residência, na motocicleta dele. Os vizinhos encontraram o primeiro portão do imóvel aberto, mas a porta da casa estava trancada.

Irmão do suspeito abriu casa

Por volta de 16h, os vizinhos de Clarissa viram um homem chegar à casa em uma motocicleta. O homem se identificou como irmão de Matheus Anthony, demonstrava nervosismo e estava com a chave do imóvel.

O irmão do suspeito abriu a casa e, junto dos vizinhos, encontrou Clarissa morta, com muito sangue pela casa. "Meu Deus, o que foi que meu irmão fez?!", declarou o irmão de Matheus, com a mão na cabeça, segundo o relato de um vizinho à Polícia.

A Polícia foi acionada e recebeu informações sobre a localização do suspeito. Uma equipe do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) encontrou Matheus saindo de um condomínio, na Rua Sebastião Abreu, no bairro Maraponga, e realizou a prisão em flagrante. Ele confessou o crime, aos policiais civis.

Ao ser interrogado na delegacia, Matheus Anthony disse que "toma medicação para epilepsia e ansiedade" e negou ter tido contato com a namorada, naquele dia. Depois, disse que não sabia se tinha a visto e que não lembrava do que aconteceu. O delegado concluiu que o suspeito apresentava "confusão mental" e não estava "em condições de prestar interrogatório".

Prisão preventiva decretada

Matheus Anthony Lima Martins Queiroz passou por audiência de custódia, na última quinta-feira (10), e teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva, por decisão da 17ª Vara Criminal - Vara de Audiências de Custódia.

"A gravidade em concreto da conduta atribuída ao flagranteado é bastante elevada, pois há indícios de que praticou o crime de feminicídio, contra pessoa com a qual encontrava-se em relacionamento afetivo, dentro de sua própria residência, havendo indicativos de agressões em sequência, contra as quais a vítima gritava insistentemente buscando apoio dos vizinhos. Essa circunstância imprime especial censurabilidade ao fato e revela acentuado risco social", considerou o juiz Tadeu Trindade de Ávila.

O magistrado ponderou que, "mesmo que o flagranteado seja tecnicamente primário, esse dado não se sobrepõe à periculosidade revelada pela conduta, nem neutraliza o risco concreto de reiteração delitiva ou de perturbação da instrução processual, sobretudo em delitos de extrema gravidade e profunda repercussão social".

"A custódia cautelar se mostra imprescindível à garantia da ordem pública e à reafirmação dos valores fundamentais da Constituição, especialmente os relacionados à dignidade da pessoa humana e à proteção integral da mulher", concluiu o juiz.

A defesa do suspeito não foi localizada para comentar o caso e a decisão judicial de decretar a prisão preventiva. O espaço segue aberto e a matéria será atualizada, se houver manifestação da defesa.



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