Violência contra idosos em abrigo no CE: saiba o que aconteceu com acusada 10 meses depois

A mulher foi detida em novembro de 2021. Para o MP, os crimes em apuração se revelam de extrema gravidade e crueldade

Matéria por  Emanoela Campelo de Melo
29 de Setembro de 2022 - 06:00
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A Justiça decidiu manter a prisão da mulher acusada de violentar idosos internados em um abrigo no bairro Monte Castelo, em Fortaleza. Benedita de Oliveira de Sousa, 65, está presa há quase um ano. Ela passou a ser investigada quando familiares dos idosos denunciaram crimes, como homicídios, tortura, negligência, injúria, falsidade ideológica e desvio de bens, supostamente ocorridos dentro do Espaço de Bem Estar Socorro Oliveira.

O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou Benedita e agora foi contra o pedido de revogação da prisão preventiva com substituição pela prisão domiciliar, solicitado pela defesa da acusada. O juiz da 10ª Vara Criminal da Comarca de Fortaleza destacou que "a prisão cautelar certamente não é somente a medida mais adequada, mas sim, a única capaz de se contrapor ao crime perpetrado pela denunciada".

O MP destaca que os crimes sob apuração se revelam extremamente graves, demonstrando "extrema crueldade contra os idosos institucionalizados em abrigo de responsabilidade da investigada". O processo principal do caso segue sob segredo de Justiça. A defesa da acusada não foi localizada para comentar a decisão.

O QUE ACONTECIA NO ABRIGO

A Polícia tomou conhecimento dos fatos após pessoas que já trabalhavam no abrigo denunciarem o que acontecia no local. Áudios, filmagens e fotos foram anexados ao processo. A reportagem teve acesso a parte do conteúdo. Nos áudios constam vozes das cuidadoras acalentando os idosos quando, aparentemente, eles tinham sido agredidos pela suspeita.

"Já já chega segunda-feira e você vai embora daqui" ou "Ele é lúcido, viu? Você faz mal aos outros", dizia uma em conversa com Benedita. Em um vídeo, a suspeita é flagrada amarrando uma das vítimas com um pano, em uma cadeira de balanço, para que ela não pudesse se levantar sozinha.

No momento da abordagem, policiais flagraram sete idosos e mais três pessoas com deficiência, totalizando dez vítimas, vivendo em total insalubridade

Nos autos constam pelo menos duas mortes de idosos que teriam morrido por demora na prestação de atendimento médico ou falta de medicamentos. Em um dos casos, uma idosa institucionalizada que dependia de determinado medicamento para tireoide passou 15 dias sem receber o remédio e faleceu. 

Há informação que os remédicos eram entregues em dia pela família, mas não eram sendo repassados à idosa. Consta ainda nos documentos que, neste caso, o Samu só foi acionado horas após a morte, quando o corpo já estava enrijecido e nada mais podia ser feito.

DEFESA ALEGOU DOENÇAS DA DENUNCIADA

A defesa de Benedita alegou que ela é idosa e tem diabete e hipertensão. O advogado anexou ao processo que a ré é primária e que o abrigo foi fechado, "não sendo necessária a manutenção da prisão preventiva da acusada".

"Quanto ao andamento processual alega que trata-se de processo complexo em que foram necessárias o requerimento de diligências como perícias e outros procedimentos, não havendo justificativa para manter a acusada presa aguardando os procedimentos necessários", disse a defesa.

O MP se manifestou contra o pedido e destacou que o fato da acusada ser idosa não seria decisivo para a revogação da preventiva: "a defesa não apresentou nos autosqualquer atestado/laudo médico que comprovasse que a requerente estaria impossibilitada de cumprir prisão preventiva", acrescentou o órgão acusatório.

 



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