Três associações com sede em Fortaleza são alvos de operação da PF contra fraudes no INSS

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na capital cearense e em Caucaia. O presidente do Instituto Nacional do Seguro Social e outros cinco servidores públicos foram afastados das funções

Matéria por  Redação
23 de Abril de 2025 - 16:50
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A Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), nesta quarta-feira (23), contra fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), teve como alvos 11 entidades associativas suspeitas de lucrar com descontos irregulares dos benefícios de aposentados e pensionistas, no Brasil. O presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e outros cinco servidores públicos foram afastados das funções.

Das 11 associações alvos de mandados judiciais, conforme lista do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a reportagem apurou que três instituições têm sedes em Fortaleza - sendo duas no bairro Aldeota e a outra, no Centro - e firmaram Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o INSS entre os anos de 2021 e 2023.

A reportagem tentou contato com as instituições com sede em Fortaleza, pelos números de telefone e do aplicativo WhatsApp fornecidos nos sites das associações, na tarde desta quarta-feira (23), mas não foi atendida nem recebeu retorno das mensagens. A matéria será atualizada se houver manifestação das instituições.

O MJSP divulgou apenas que as 11 entidades associativas foram "alvo de medidas judiciais", mas não detalhou quais medidas. O Diário do Nordeste confirmou com a Polícia Federal que os mandados de busca e apreensão que tinham alvos no Ceará foram cumpridos em Fortaleza e Caucaia, mas a PF disse que não divulgaria o número de mandados por cidade.

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mandados de busca e apreensão, 6 mandados de prisão temporária e ordens de sequestro de bens no valor de mais de R$ 1 bilhão foram cumpridos por 700 policiais federais e 80 servidores da CGU, no Distrito Federal e nos estados de Alagoas, Amazonas, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe.

A Justiça Federal suspendeu o ACT de nove empresas com o Instituto Nacional do Seguro Social. Entretanto, a Controladoria Geral da União suspendeu o Acordo de todas as 29 associações que tinham parceria com o INSS, para prevenir outros crimes.

O ministro da CGU, Vinicius Marques De Carvalho, detalhou que cerca de 40% das instituições não apresentaram documentos necessários para firmar o ACT e outras 30% apresentaram documentos incompletos. Mesmo assim, as parcerias foram firmadas.

Como aconteciam as fraudes

A Polícia Federal divulgou que as investigações identificaram a existência de irregularidades relacionadas aos descontos de mensalidades associativas aplicados sobre os benefícios previdenciários, principalmente aposentadorias e pensões concedidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou que "foi uma fraude contra os aposentados, pessoas que estão em fase adiantada da vida, naturalmente debilitadas, e foram vítimas fáceis de criminosos que se apropriaram das pensões e das aposentadorias".

Segundo as investigações, entidades sem estrutura falsificavam assinaturas para "associar" aposentados sem autorização. As instituições ofereciam serviços como assistência jurídica e acesso a planos de saúde, mas a maioria dos aposentados e pensionistas nem sabiam que tinham o dinheiro descontado ou não sabiam a motivação.

R$ 6,3 bilhões
foram cobrados por associações representativas de aposentados e pensionistas no INSS, no período entre 2019 e 2024. Cerca de 1.300 pessoas foram ouvidas em uma auditoria, e 97% delas afirmaram que não autorizaram a cobrança. A PF e a CGU irão ampliar as investigações e ouvir mais pessoas, após a deflagração da Operação.

Presidente e servidores afastados

A Operação Sem Desconto também afastou o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e outros cinco servidores públicos, por suspeita de participarem das fraudes aos benefícios. Confira o cargo dos servidores afastados:

  • Presidente do INSS;
  • Procurador-geral do INSS;
  • Coordenador-geral de Suporte ao Atendimento ao Cliente do INSS;
  • Diretor de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão;
  • Coordenador-geral de Pagamentos e Benefícios do INSS;
  • policial federal lotado em São Paulo, suspeito de dar suporte ao esquema criminoso.


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