TJCE confirma que capitão da Aeronáutica acusado de matar avô paterno do neto irá a júri popular

Desembargadores recusaram os pedidos da defesa de retirar as qualificadoras dos crimes. Defesa pretende recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília

Matéria por  Messias Borges
17 de Fevereiro de 2022 - 10:20
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O capitão reformado da Aeronáutica Luís Eduardo Ferreira de Mello, de 68 anos, irá a júri popular pelo assassinato do avô paterno do seu neto e por duas tentativas de homicídio, em uma briga familiar ocorrida em Fortaleza. O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) rejeitou o recurso da defesa do militar, na última quarta-feira (16), e manteve a decisão de pronúncia na íntegra da Primeira Instância da Justiça. O julgamento ainda não tem data para ocorrer.

A 2ª Câmara Criminal do TJCE negou o recurso da defesa por unanimidade. Os desembargadores concordaram que não há dúvidas sobre a materialidade e a autoria do delito. E recusaram os pedidos da defesa de retirar as qualificadoras de futilidade no homicídio e surpresa em uma tentativa de homicídio; e de desclassificar a segunda tentativa de homicídio para lesão corporal leve.

Analisando a decisão recorrida, observo sua adequação e pertinência, na medida em que averiguou o conjunto probatório constante dos autos e, dentro dos preceitos legais, considerou pontos pacíficos e bem delineados a materialidade do crime e os indícios suficientes de sua autoria, além de abordar as principais teses defensivas e a presença de circunstâncias qualificadoras do delito."
2ª Câmara Criminal do TJCE
Em decisão

A defesa de Luís Eduardo Ferreira de Mello, representada pelo advogado Delano Cruz, informou que irá "esperar a publicação da decisão, para recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ)". "É certo que ele irá para júri popular, mas espero que a Instância Superior retire as qualificadoras da forma como o juiz (de Primeira Instância) colocou", explica.

Os advogados da família das vítimas, Leandro Vasques, Holanda Segundo e Laura Matos (que atuam como assistentes de acusação no processo), "aplaudem a sensata decisão do Tribunal de Justiça e esperam que haja a imediata designação de data para o julgamento popular do acusado, uma vez que se encontra preso preventivamente e que os demais recursos cabíveis não possuem efeito de suspender o julgamento".

Briga familiar resultou em morte

A 4ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza proferiu sentença de pronúncia contra o capitão reformado da Aeronáutica Luís Eduardo Ferreira de Mello por um homicídio (contra Fernando Carlos Pinto, avô paterno do seu neto) e por duas tentativas de homicídio (contra o pai e a avó paterna do seu neto), no dia 11 de agosto do ano passado.

Conforme a denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE), aceita pela 4ª Vara do Júri, Luís Eduardo não aceitava que o ex-companheiro da sua filha tivesse a engravidado sem se casar com a mesma, o que criou uma contenda entre as duas famílias.

Assista ao vídeo da briga:

No dia 22 de novembro de 2020, o capitão da Aeronáutica desceu do seu apartamento, no bairro José Bonifácio, em Fortaleza, junto do neto - que tinha apenas 2 anos - para a visita semanal da família paterna à criança, quando começou uma discussão, com luta corporal.

O militar foi à sua residência para pegar uma arma de fogo (revólver calibre 38) e voltou ao encontro das vítimas, quando efetuou vários disparos. Fernando Pinto, de 59 anos, morreu no local. O filho da vítima, um advogado de 32 anos, e a esposa, 58, também ficaram feridos e precisaram ser levados ao hospital.



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