TJCE manda soltar piloto acusado de participar das mortes de 'Gegê do Mangue' e 'Paca'

O desembargador cearense considerou o quadro de saúde debilitado de Felipe Morais

Matéria por  Emerson Rodrigues/ Messias Borges
23 de Abril de 2021 - 12:00
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Quase três anos depois de ser preso, o piloto Felipe Ramos Morais conseguiu voltar à liberdade. O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) decidiu soltar um dos acusados de envolvimento nas mortes dos líderes de uma facção criminosa paulista, Rogério Jeremias de Simone, o 'Gegê do Mangue', e Fabiano Alves de Sousa, o 'Paca'.

A decisão do TJCE teve caráter sigiloso, mas a reportagem apurou que foi proferida no último dia 12 de abril. O Poder Judiciário cearense considerou o quadro de saúde debilitado de Felipe Morais - que utiliza um balão intragástrico que já explodiu - para conceder a liberdade provisória. Além disso, o piloto perdeu mais de 30 kg na prisão, por fazer greve de fome, utiliza medicamentos controlados e até tentou suicídio duas vezes.

Felipe firmou delação premiada com a Polícia Federal (PF), que auxiliou em outras investigações contra a mesma facção criminosa paulista. Conforme apurou a reportagem, o piloto está residindo em um local sigiloso. A defesa do acusado não foi localizada para comentar o assunto.

O piloto  pediu por liberdade à Justiça várias vezes e pela anulação dos atos processuais, com a alegação de que também selou acordo de delação premiada com o Ministério Público do Ceará (MPCE), o que foi negado pelo Órgão. No mesmo dia que ele foi solto pelo TJCE, o colegiado de juízes da Comarca de Aquiraz negou a anulação dos atos processuais e pedidos de relaxamento das prisões dos réus.

O piloto alega que foi sequestrado e torturado, antes do duplo homicídio no Ceará
Legenda: O piloto alega que foi sequestrado e torturado, antes do duplo homicídio no Ceará
Foto: Reprodução

Prisão em condomínio de luxo

Felipe Ramos Moras foi preso em um condomínio de luxo no Município de Caldas Novas, em Goiás, em 14 de maio de 2018, três meses após os assassinatos de 'Gegê do Mangue' e 'Paca', em uma reserva indígena em Aquiraz, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). 

Primeiro acusado detido pelo duplo homicídio, Felipe teria levado vítimas e assassinos para uma emboscada, motivada por um racha na facção. Conforme as investigações da Polícia Civil do Ceará (PCCE), o grupo criminoso não aceitava a vida de luxo que a dupla levava em terras cearenses e suspeitava de desvios financeiros.

O piloto conta que foi sequestrado e torturado por homens subordinados a Wagner Ferreira da Silva, o 'Cabelo Duro', um mês antes das mortes de 'Gegê' e 'Paca'. O caso foi registrado em Boletim de Ocorrência (B.O.), na Delegacia de Polícia de Guarujá, em São Paulo, em 13 de janeiro de 2018. Considerado o principal articular do plano criminoso, 'Cabelo Duro' também foi executado, em São Paulo, poucos dias após o crime ocorrido no Ceará.

Réus ouvidos pela Justiça

Dez pessoas são réus pelos assassinatos de 'Gegê' e 'Paca', das quais quatro agora estão presas. O processo anda, e os acusados devem ser ouvidos pela Justiça Estadual, por videoconferência, nos dias 1, 2, 7 e 8 de junho deste ano. São réus:

  • Gilberto Aparecido dos Santos, o 'Fuminho' (preso);
  • André Luís da Costa Lopes, o 'Andrezinho da Baixada' (preso);
  • Jefte Ferreira Santos (preso);
  • Carlenilto Pereira Maltas (preso);
  • Felipe Ramos Morais;
  • Erick Machado Santos;
  • Ronaldo Pereira Costa;
  • Tiago Lourenço de Sá Lima;
  • Renato Oliveira Mota;
  • Maria Jussara da Conceição Ferreira Santos.


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