Subtenente e sargento da PM acusados de envolvimento em bingos no Ceará devem continuar presos

Os pedidos de revogação da prisão preventiva foram indeferidos. No entanto, o magistrado se comprometeu a analisar em breve a permanência da custódia em domicílio, com equipamento para monitorar localização dos policiais

Matéria por  Emanoela Campelo de Melo
03 de Abril de 2021 - 09:00
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O juiz da Vara da Auditoria Militar do Ceará decidiu manter a prisão preventiva do sargento João Bosco da Costa Filho e do subtenente Francisco Flávio Cosme Campos. A decisão foi de acordo com manifestação do Ministério Público Estadual. A dupla é acusada junto a outros seis réus de envolvimento com casas de jogos de azar, em Fortaleza.

A defesa dos policiais militares entrou com pedido de revogação da preventiva alegando que os agentes não são prejuízo a ordem pública, econômica e social. Conforme decisão publicada no Diário da Justiça nesta semana, os acusados devem permanecem sob custódia preventiva, até a data de audiência de instrução, que ainda não foi agendada.

Consta ainda no parecer do juiz que na audiência ele irá analisar "a permanência da custódia em domicílio
 com equipamento de segurança". Ou seja, há probabilidade de os militares deixarem a prisão e passarem a ser monitorados por tornozeleira eletrônica.

O advogado dos PMs, Marcus Fábio Silva Luna, disse à reportagem que a decisão recente é referente a um pedido feito no último mês de janeiro. Segundo a defesa, agora, há mais motivos para relaxar a prisão por excesso de prazo.

"Ficamos felizes com um passivo entendimento do juiz da justiça Militar estadual em analisar a cautelar, pedido feito em audiência de custódia também. Contudo a bem da justiça e a exemplo da recente decisão dos 71 libertos pela vara de crime organizado, recentemente, espera que sejam contemplados todos os militares que também estão presos por excesso de prazo para formação da culpa com a liberdade", afirmou Marcus Fábio.

Acusação

Além de João Bosco e Francisco Flávio, também são acusados o 1º tenente Abdoral de Sousa Aguiar, o 2º tenente Francisco José Barbosa, o 1º sargento Roberto Paulo da Silva, o 2º tenente Wladimir Gomes Bezerra, o cabo Geldson Coelho de Araújo e o sargento Antônio Marcos Moura de Oliveira.

O grupo foi alvo da 'Operação Bet', deflagrada pelo Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), em dezembro de 2020. Todos eles seguem afastados das funções na Polícia Militar do Ceará (PMCE).

Ainda no ano passado, a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) publicou portaria detalhando que os oito policiais formam uma quadrilha envolvida na exploração de jogos de azar e estariam acobertando o funcionamento de bingos e de outras casas de jogos ilegais em Fortaleza, em troca de recebimento de propinas.

O MPCE informou anteriormente que as investigação tiveram início em 2018. Se comprovadas as participações dos agentes nos atos, eles podem responder por crime contra a economia popular, corrupção ativa e passiva e também por integrarem organização criminosa.



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