Policiais militares presos em operação protegiam traficantes em troca de mensalidades em Fortaleza

Três PMs e três 'informantes' foram presos preventivamente na 8ª fase da Operação Gênesis

Matéria por  Messias Borges
21 de Julho de 2022 - 16:00
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Seis policiais militares integravam uma organização criminosa que protegia traficantes em troca de mensalidades, na Capital e na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), de acordo com o Ministério Público do Ceará (MPCE). Três deles foram presos preventivamente, na 8ª fase da Operação Gênesis, nesta quinta-feira (21).

Os outros três mandados de prisão preventiva foram cumpridos contra "informantes" dos policiais. O Ministério Público pediu pela prisão dos outros três PMs investigados, mas a Justiça Estadual determinou apenas o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra eles - e contra os seis alvos detidos.

A Operação foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do MPCE, e pela oordenadoria de Inteligência (Coin), da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS). Os mandados foram expedidos pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas e pela Vara da Auditoria Militar do Ceará e foram cumpridos com o apoio da Coordenadoria de Planejamento Operacional da SSPDS, da Assessoria de Inteligência da Polícia Militar, e da Secretaria de Administração Penitenciária do Ceará (SAP).

De acordo com as investigações, o líder da quadrilha é um subtenente da Polícia Militar do Ceará (PMCE), que está entre os três militares presos. Os outros policiais são soldados e cabos. O promotor de Justiça Adriano Saraiva, integrante do Gaeco, afirma que os PMs "tinham duas frentes de atuação".

Na primeira frente, eles davam proteção ao traficante para comercializar drogas e armas. Em contrapartida, recebiam mensalidades, que dependiam do lucro do traficante. Também informavam aos criminosos quando havia incursão da Polícia na área." 
Adriano Saraiva
Promotor de Justiça

"A segunda frente era na atuação direta das extorsões e do peculato. O informante levantava alvos em potenciais, traficantes com certa capacidade financeira e com histórico criminal, marcavam um encontro, e os policiais faziam a abordagem com uma viatura, para dare ares de legalidade. Além da extorsão, na subtração de objetos de crimes, eles ainda levavam os pertences da pessoa, o que configura peculato", acrescenta o integrante do Gaeco.

Os ilícitos retidos pelos policiais (como armas, drogas e outros produtos de crimes) eram revendidos a criminosos, para obterem vantagem financeira. Os nova alvos da Operação foram denunciados pelo MPCE pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas, corrupção passiva, peculato e extorsão, e já viraram réus na Justiça Estadual (ou seja, a denúncia foi aceita).

Saraiva conclui que os investigadores irão "avaliar o que foi apreendido na Operação, como celulares e dispositivos móveis. Com base nisso, podemos deflagrar outras fases", completa. As armas de fogo dos policiais investigados foram recolhidas, no cumprimento dos mandados judiciais.

99 mandados de prisão

Nas oito fases, a Operação Gênesis visou cumprir 99 mandados de prisão preventiva, além de 106 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas e pela Vara da Auditoria Militar do Estado do Ceará. Os alvos das ordens judiciais foram agentes de segurança, ex-policiais e traficantes.

Relembre as outras fases da Operação:

Primeira fase (setembro de 2020): foram cumpridos 17 mandados de prisão e de busca e apreensão em Fortaleza e em Maracanaú. Do total de alvos, nove eram policiais militares da ativa, três eram policiais civis da ativa e cinco eram civis (sendo quatro homens suspeitos de atuarem como traficantes e um policial civil aposentado, apontado como o líder da organização criminosa). Leia mais.

Segunda fase (outubro de 2020): foram cumpridos 16 mandados de prisão e de busca e apreensão em Fortaleza e em Caucaia. Entre os alvos estavam três policiais militares e três policiais civis da ativa, nove suspeitos de tráfico de drogas e um ex-policial militar. Leia mais.
 
Terceira fase (maio de 2021): foram cumpridos 26 mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, sendo 21 contra integrantes de organizações criminosas (oito já recolhidos ao sistema penitenciário estadual) e cinco contra policiais militares do Ceará em Fortaleza e em Caucaia. Leia mais.
 
Quarta fase (julho de 2021): foram cumpridos 12 mandados de prisão preventiva e busca e apreensão, dentre eles sete mandados de condução coercitiva contra policiais militares e um mandado de prisão contra um militar apontado como líder do grupo, além de medidas cautelares restritivas em desfavor de todos dos suspeitos. Leia mais.
 
Quinta fase (setembro de 2021): foram cumpridos 5 mandados de prisão e de busca e apreensão expedidos pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas em Fortaleza e Pacatuba. Ainda houve o cumprimento de mandados em três unidades prisionais do Estado. Na ocasião, foi desarticulada uma organização criminosa dedicada ao tráfico de drogas ilícitas, receptação e desmanche de veículos roubados. Leia mais.
 
Sexta fase (fevereiro de 2022): foram cumpridos 6 mandados de prisão preventiva e 9 mandados de busca e apreensão, todos na cidade de Fortaleza, havendo ainda o cumprimento dos mandados em duas unidades prisionais do Estado do Ceará. Nessa fase da operação foi desarticulada uma organização criminosa conhecida nacionalmente, com atuação preponderante no bairro Jangurussu, na capital, e que se dedicava ao tráfico ilícito de drogas. Leia mais.

Sétima fase (abril de 2022): foram cumpridos 11 mandados de prisão preventiva e 12 mandados de busca e apreensão na Capital, na Região Metropolitana de Fortaleza e no interior do Estado. Na ocasião, foi desarticulado um núcleo que integrava uma facção criminosa com envolvimento em tráfico de drogas ilícitas, comercialização ilegal de arma de fogo, dentre outros crimes, com atuação preponderante na região dos bairros Serrinha e Itaoca, em Fortaleza.



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