Polícia investiga denúncia que facção lava dinheiro de jogo do bicho por meio de igrejas evangélicas

A reportagem do Diário do Nordeste acompanha o caso do 'monopólio do jogo do bicho' há um ano, tendo publicado recentemente a série de matérias: 'Consórcio do Crime'

Matéria por  Emanoela Campelo de Melo
07 de Novembro de 2022 - 06:00
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O desenrolar das investigações acerca do monopólio do 'jogo do bicho' no Ceará chegou ao nome de uma igreja evangélica, onde estaria sendo lavado dinheiro ilícito de uma facção criminosa carioca. Uma denúncia anônima levou a Polícia Civil a investigar e comprovar indícios de veracidade que um pastor estaria ciente da origem dos valores.

Daniel Gonçalves Pereira, tio de Valeska Pereira Monteiro, a 'Majestade', foi preso em Fortaleza no último dia 11 de outubro. Após a captura, policiais da Delegacia de Combate às Ações Criminosas Organizadas (Draco) receberam denúncia indicando que Daniel e um pastor estariam envolvidos com jogos de azar.

A informação é que o suspeito atuava em uma facção junto a sobrinha e o dinheiro obtido por meio da prática do jogo do bicho era lavado em uma igreja evangélica, localizada no bairro Presidente Kennedy, em Fortaleza. 

"A análise preliminar do aparelho celular de Daniel condiz com as informações relatadas na denúncia anônima, pois possui comprovação de que Daniel exerce um papel de administrador da igreja, da qual recebe, em sua conta pessoal, dízimos dos fiéis", diz trecho do documento oficial que a reportagem teve acesso.

No celular do suspeito a Polícia localizou grupos com conversas sobre movimentação financeira, incluindo valores provenientes do jogo do bicho.

A reportagem do Diário do Nordeste acompanha o caso do 'monopólio do jogo do bicho' há um ano, tendo publicado recentemente a série de matérias: 'Consórcio do Crime: Apostas fora da lei'.

Na denúncia constam detalhes do suposto envolvimento de Daniel
Legenda: Na denúncia constam detalhes do suposto envolvimento de Daniel
Foto: Reprodução

Roberto Castelo, advogado de Daniel Pereira, afirma que "os fatos não decorrem da forma como expostos" e  que o "acusado provará sua inocência, no bojo da ação penal, tudo em conformidade com o devido processo legal, através de todos os meios de prova admitidos em Direito".

OPERAÇÃO SATURNÁLIA

Dois dias após a prisão de Daniel, a PCCE deflagrou a 'Operação Saturnália' para desarticular esquema de extorsão, ameaça e organização criminosa referente ao monopólio de uma loteria no Ceará.

A Polícia se valeu de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça, que apontou a participação de Douglas Honorato e João Vitor dos Santos, o 'Adidas', noivo da Majestade, no esquema: "foi possível "comprovar, com exatidão, a existência da prática de atos criminosos, orquestrados pelo Comando Vermelho, no sentido de determinar o fechamento de casas de loterias", segundo a PC. Ambos seguem foragidos.

De acordo com o titular da Draco, delegado Kléver Farias, Adidas era um dos homens de confiança de Douglas Honorato (intermediador da facção e empresários donos de uma loteria investigada): "Assim como o Douglas, o Adidas tinha anotações no seu telefone que faziam referência a essa loteria. A gente realmente conseguiu perceber esse vínculo deles com o jogo do bicho, tanto que dois dias antes de deflagrar a Operação Saturnália, nós deflagramos outra operação a pessoas vinculadas a Valeska. Mãe, tio e a esposa do tio foram presos e confirmamos também o vínculo deles com esse esquema do jogo do bicho".



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