Perícia divulga 5 fatores que contribuíram para queda do Edifício Andrea

O prédio desabou no dia 15 de outubro de 2019. Nesta quinta-feira (30), as autoridades divulgaram em coletiva de imprensa que três pessoas foram indiciadas. Nenhuma delas chegou a ser presa

Matéria por  Redação
30 de Janeiro de 2020 - 17:45
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Por meio de um laudo técnico, peritos criminais e engenheiros do Núcleo de Perícia em Engenharia Legal e Meio Ambiente (Nupelm) da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) concluíram os fatores que levaram ao desabamento do Edifício Andrea, em outubro do ano passado. Nesta quinta-feira (30), três meses e meio após a tragédia, as autoridades divulgaram uma lista com cinco fatores determinantes para a queda. Três pessoas foram indiciadas.

No documento ficaram constatadas:

  1. A falha da empresa responsável pela reforma e dos seus profissionais prestadores de serviços;  
  2. Técnica equivocada durante a obra, o que prejudicou a estabilidade da estrutura;
  3. Ausência de relatório da reforma e de escoramento das estruturas dos pilares de sustentação, conforme determina na Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT);
  4. Acréscimo de carga (sobcarga) inserida sobre o pavimento da cobertura, que foi erguida após a construção da edificação, o que provocou a redução do coeficiente de segurança (no local foi realizada a construção de cômodos -quartos e banheiro- em um espaço de 60 m²); e
  5. Falta de manutenção adequada da estrutura ao longo de sua existência.

O laudo completo foi entregue ao delegado José Munguba, titular do 4º Distrito Policial e principal responsável por investigar o caso. Segundo os investigadores, todas estas ações e omissões levaram ao colapso da estrutura. Para as autoridades, o gatilho para o desabamento foi a intervenção feita pelos engenheiro e pedreiro nos dias 14 e 15 de outubro de 2019.

O perito criminal e supervisor do Nupelm, Fernando Viana, ressaltou ainda que após a intervenção sofrida, a estrutura do prédio se encontrava em seu estado limite de esforços. Ainda segundo Viana, os pilares vinham sendo restaurados sem a devida escora e faltou manutenção adequada da estrutura ao longo da sua existência.

Vítimas

O Edifício Andrea, de sete andares, ficava localizado no cruzamento da Rua Tomás Acioli com Rua Tibúrcio Cavalcante, no Bairro Dionísio Torres. Ele desabou na manhã do dia 15 de outubro de 2019 e deixou 9 pessoas mortas e 7 pessoas resgatadas com vida. Uma operação do Corpo de Bombeiros foi montada para procurar por pessoas que estavam desaparecidas. As buscas aconteceram ao longo de cinco dias. 

A operação de resgate foi encerrada pelo Corpo de Bombeiros no dia 19 de outubro. Os agentes, moradores, voluntários e sobreviventes acompanharam as 103 horas de buscas pelas vítimas nos escombros. 

Morreram devido ao desabamento:

  • Frederick Santana dos Santos: Chamado de Fred, a vítima entregava água em um mercadinho próximo ao prédio que desabou. Deixou esposa e filha.
  • Maria da Penha Bezerril Cavalcante: Penha, como era chamada, morava no 1° andar. Integrava a Legião de Maria na Igreja de São Vicente de Paulo. Deixa filhos.
  • Izaura Marques Menezes: Avó de Fernando Marques, sobrevivente. A idosa era professora aposentada, mãe e esposa de duas vítimas.
  • Antônio Gildásio Holanda Silveira: Pai de outra vítima da tragédia. Era viúvo, morava no prédio provisoriamente. Deixou dois filhos.
  • Nayara Pinho Silveira: Era psicóloga, tinha 31 anos e teve o corpo resgatado por volta do meio-dia do dia 15 de outubro.
  • Rosane Marques de Menezes: Assistente administrativa, mãe de Fernando Marques, sobrevivente da tragédia. Eles moravam no 3º andar do prédio.
  • Vicente de Paula Menezes: Avô de Fernando Marques, sobrevivente. O idoso morava no 5º andar com a esposa Izaura. Veio para Fortaleza com parte da família depois de morar no Rio de Janeiro
  • José Eriverton Laurentino Araújo: Cuidador dos idosos Vicente e Izaura, há 20 anos, estava no prédio na hora da ocorrência. Ele deixou esposa e filho.
  • Maria das Graças Rodrigues: Era síndica do Edifício Andrea e morava no 5º andar do prédio. Ela estava no térreo na hora do desabamento.



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