Operação Fim de Festa: quem são o sócio da casa de shows ligada ao CV preso em Fortaleza e o chefe da facção na região

A casa de shows foi interditada e 11 mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra alvos ligados a um chefe da facção criminosa Comando Vermelho

Escrito por Messias Borges messias.borges@svm.com.br
10 de Fevereiro de 2025 - 07:00
capa da noticia

A Operação Fim de Festa, que interditou uma casa de shows, no bairro Serrinha, em Fortaleza, na última quinta-feira (6), também prendeu um sócio-administrador do estabelecimento e cumpriu 11 mandados de busca e apreensão contra alvos ligados a um chefe da facção criminosa Comando Vermelho (CV) naquela região.

Francisco Bruno Holanda Lima, de 28 anos, foi alvo de um mandado de prisão temporária, com prazo de 30 dias, cumprido na residência do suspeito, também na Serrinha. Ele afirmou à Justiça Estadual que trabalha como promotor de eventos.

R$ 21 mil
foram apreendidos em um armário, no quarto de Francisco Bruno, na operação deflagrada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE). Dois celulares e documentos também foram apreendidos com ele. Moradores do condomínio onde o suspeito mora não abriram as portas para os investigadores, que estavam na posse de mandados judiciais e precisaram arrombar a porta.

As investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do MPCE, apontaram que Francisco Bruno era um sócio-administrador da casa de shows Nitro Dance Fest que promovia festas com apologia ao crime, reunia membros do Comando Vermelho e ainda era utilizada para lavagem de dinheiro. O estabelecimento foi interditado, por decisão judicial.

Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão na Operação, em imóveis localizados nos bairros Serrinha, Parque Dois Irmãos e Mondubim, em Fortaleza. Aparelhos celulares, maquinetas de cartão de crédito, notebooks e documentos foram apreendidos e serão analisados pelos órgãos especializados. O grupo é suspeito de movimentar mais de R$ 1 milhão, em poucos meses, segundo o MPCE.

A Operação foi coordenada pelo Gaeco, com o apoio do Departamento Técnico Operacional (DTO) da Polícia Civil do Ceará (PCCE), da Coordenadoria de Inteligência (Coint) da Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização do Ceará (SAP) e da 3ª Companhia do 6º Batalhão (3ª CIA/6º BPM) da Polícia Militar do Ceará (PMCE).

Máquinas de pagamento apreendidas em operação
Legenda: Máquinas de pagamento apreendidas em operação
Foto: Divulgação/MPCE

Chefia da facção criminosa

O Ministério Público do Ceará divulgou que a casa de shows localizada na Serrinha era "responsável pela promoção de eventos festivos com apologia ao crime organizado e funcionaria como reduto destinado ao fortalecimento dos interesses da facção criminosa, principalmente do núcleo subordinado a uma das principais lideranças de uma facção criminosa de origem carioca, preso preventivamente em 2023".

De acordo com a apuração, a casa estava sob gestão de familiares e pessoas ligadas ao detento e serviria tanto para reuniões de faccionados e/ou cooptação de novos membros, quanto para encobrir o cometimento de outras infrações penais, como tráfico de drogas, corrupção de menores (adolescentes) e porte de armas de fogo. Há registros, inclusive, de brigas generalizadas, com pessoas gravemente feridas, ocorridas em algumas das festas realizadas no local."
Ministério Público do Ceará
Em publicação

A reportagem apurou que o chefe do Comando Vermelho da região é Francisco Anderson Rabelo da Silva, 41, conhecido como 'Nem Gato', preso em Beberibe, no Litoral Leste do Ceará, em dezembro de 2023. Mesmo detido no Sistema Penitenciário, ele continuaria a determinar ações criminosas na região, segundo as investigações.

'Nem Gato' foi preso quando estava com quatro mandados de prisão em aberto, por crimes como integrar organização criminosa e homicídios. Investigações da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas (Draco), da Polícia Civil, apontaram que ele era um dos responsáveis pelo tráfico de drogas e por ameaças a moradores locais, nos bairros Serrinha, Dias Macedo e Itaperi, na capital cearense.

As defesas do sócio-administrador da casa de shows e do homem apontado como chefe da facção criminosa não foram localizadas pela reportagem. O espaço segue aberto para futuras manifestações.



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