Onde está Bebeto Queiroz? Buscas por prefeito eleito alvo de operação da PF ultrapassam nove meses

A defesa do político disse que se manifesta exclusivamente nos autos do processo

Matéria por  Redação
24 de Setembro de 2025 - 06:00
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Com mandado de prisão em aberto há quase 300 dias, o paradeiro do prefeito eleito de Choró, no Ceará, Carlos Alberto Queiroz, o Bebeto Queiroz (PSB), segue como um mistério para as autoridades. O Diário do Nordeste apurou que nos últimos meses houve apenas duas investidas na tentativa de capturar o político.

Uma delas aconteceu no Ceará. A segunda, em outro estado do Nordeste. Segundo uma fonte ligada à investigação, quando os policiais chegaram ao suposto local onde Bebeto estava, lá já não havia mais rastros da permanência do foragido.

A reportagem procurou a Polícia Federal e a Polícia Civil do Ceará a fim de saber informações sobre as diligências. Por nota, a PF disse "que não confirma, nem fornece informações sobre possíveis nomes envolvidos, bem como possíveis: ações, operações, prisões, investigações e inquéritos em andamento".

Já a Polícia Civil informa que "atua de forma ininterrupta com o foco constante no combate ao crime. Diariamente, equipes realizam operações na Capital e no interior, reforçando nosso compromisso institucional com a aplicação da lei e a manutenção da ordem pública, tendo as forças de segurança realizado 23.188 prisões em flagrante ou por mandado entre janeiro e agosto de 2025 em todo o Estado".

"A atuação da PCCE não se limita às divisas cearenses, realizando operações em outros estados para garantir que os responsáveis por crimes sejam localizados e presos, demonstrando o amplo alcance de nosso trabalho investigativo. Para fortalecer ainda mais essas ações, a colaboração da população é fundamental"
PCCE

A defesa de Bebeto também foi procurada e disse que "todas as suas manifestações ocorrerão exclusivamente nos autos do processo, foro apropriado para o debate. Reiteramos a confiança na Justiça e temos a convicção de que a instrução processual esclarecerá devidamente os fatos", conforme os advogados do escritório Tenório Gondim Menezes e Freitas Advocacia.

PAPEL DE LIDERANÇA NO ESQUEMA

No dia 5 de dezembro do ano passado, a PF deflagrou a Operação Vis Occulta contra um esquema criminoso de compra de votos em dezenas de municípios cearenses. Bebeto teria papel central no crime devido a um suposto desvio de recursos de emendas parlamentares.

Segundo a Polícia Federal, foram realizadas dezenas de transferências de recursos financeiros para eleitores e candidatos, tanto por Bebeto como por aliados. Os investigadores indicaram que o prefeito eleito cometeu abuso de poder econômico, que a rede criminosa chegou a envolver um oficial da Polícia Rodoviária Estadual (PRE).

O gestor eleito do município da região do Sertão Central seria o líder de um esquema de “caixa dois”, envolvendo contratos públicos direcionados para empresas vinculadas à organização criminosa. Como contrapartida, os recursos públicos provenientes dos repasses do Congresso eram destinados ao financiamento ilícito das campanhas eleitorais em cidades cearenses.

Em janeiro deste ano, o Diário do Nordeste noticiou que Bebeto teria contado com a ajuda de um tenente da PRE para colocar em prática o suposto esquema de compra e venda de votos nas Eleições 2024. 

O relatório da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) feito a partir de uma investigação da Polícia Federal traz prints de conversas no Whatsapp entre o político e um tenente.

Em uma das conversas, o tenente diz a ‘Bebeto’ que estará na coordenação no Sertão Central de 24 de setembro a 7 de outubro de 2024 (período que engloba a votação das eleições) e que afastou o PM dos plantões na região.

Na nota do analista da Ficco que acompanhou as conversas é destacado uma “relação suspeita com a PRE”. “Bebeto conversa com o tenente sobre temas relacionados à política e à própria atuação da PRE, com troca perigosa e suspeita de favores, envolvendo Cleidiane, irmã de Bebeto”, conforme trecho do documento que o Diário do Nordeste teve acesso.

Em uma das conversas, Bebeto agradece ao PRE “por todo o apoio” e diz “até o dia 6… a eleição é nossa…”

VEJA PRINTS DA CONVERSA

DESVIO DE DINHEIRO PÚBLICO

Outra conduta apontada ao denunciado é acerca dos contratos envolvendo a empresa MK Serviços, Construções e Transporte Escolar, que seria usada para desviar o dinheiro público.

Ainda no início de 2025, o empresário Maurício Gomes Coelho, conhecido como "MK", o vereador por Canindé Francisco Geovane Gonçalves, o chefe de facção criminosa Guardiões do Estado (GDE) Francisco Flavio Silva Ferreira, o "Bozinho", outras 15 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) por integrar uma organização criminosa que pratica o tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro, no Município de Canindé, no Interior do Ceará.

A investigação partiu de uma denúncia feita pela então prefeita de Canindé, Rosário Ximenes (Republicanos). Em depoimento ao MP no ano passado, ela disse que, além de Bebeto, a irmã dele, Cleidiane de Queiroz Pereira, e Maurício Gomes Coelho teriam atuado para tentar influenciar o resultado eleitoral nas cidades de Madalena, Quixadá, Boa Viagem, Aquiraz, Itaitinga, Canindé e São Gonçalo do Amarante.

Além das cidades citadas pela ex-prefeita, os investigadores identificaram contratos da empresa para prestação de serviços com os municípios de Acopiara, Alto Santo, Amontada, Apuiarés, Aracati, Aratuba, Barreira, Baturité, Camocim, Caridade, Choró, Coreaú, Farias Brito, General Sampaio, Guaiúba, Guaraciaba do Norte, Ibicuitinga, Independência, Iracema, Irauçuba, Itapajé, Itapipoca, Itatira, Juazeiro do Norte, Maracanaú, Massapê, Milagres, Mombaça, Nova Russas, Pacajus, Parambu, Paraipaba, Paramoti, Pedra Branca, Quiterianópolis, Quixeramobim, Russas, Saboeiro, Sobral, Tejuçuoca e Viçosa do Ceará.

PRIMEIRA PRISÃO

Bebeto chegou a ser preso temporariamente no dia 23 de novembro, mas foi solto com o término do mandado de prisão, que tinha validade de dez dias

Naquela ocasião, ele havia sido alvo da Ad Manus, uma operação realizada pelo MPCE, Polícia Civil do Ceará (PCCE) e PF para combater irregularidades em contratos do Município de Choró.

O político foi diplomado por meio de uma procuração para o seu filho. Mas, em janeiro, no âmbito da Justiça Eleitoral, a 6ª Zona Eleitoral de Quixadá determinou que a chapa eleita de Choró, composta por Bebeto e pelo vice-prefeito Bruno Jucá (PRD), não fosse empossada.

No último mês de maio, o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) decidiu manter a cassação do prefeito eleito de Choró e do vice-prefeito. 

A Corte ainda aplicou uma multa de R$ 53,2 mil, determinou a inelegibilidade do prefeito por oito anos e ordenou a realização de novas eleições na Cidade.



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