Os oito acusados pela morte do adolescente paulista Henrique Marques em Jericoacoara, no litoral cearense, foram denunciados pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) nessa quinta-feira (7). O crime ocorreu no dia 16 de dezembro do ano passado, na Praia da Malhada, após o jovem de 16 anos ser sequestrado e agredido por usar uma camisa supostamente com símbolos em referência a uma facção criminosa rival à dos agressores.
Conforme a denúncia e a representação, o crime foi motivado "por rivalidade entre facções criminosas e praticado com extrema violência e tortura".
Quatro homens foram denunciados por homicídio com qualificadoras de motivo torpe, meio cruel, tortura e impossibilidade de defesa da vítima; ocultação de cadáver; e organização criminosa, com agravante por envolvimento de menores de 18 anos. Os quatro restantes são adolescentes foram representados por atos infracionais análogos aos mesmos crimes.
O MPCE solicita, por meio da Promotoria de Justiça de Jijoca de Jericoacoara, à Justiça do Ceará, que os homens sejam condenados e o adolescentes sejam internados.
"Segundo a denúncia, a materialidade dos atos dos foi comprovada por imagens das câmeras de videomonitoramento de um supermercado, que registraram o sequestro da vítima e os autores; pelo laudo cadavérico; pela existência do grupo de WhatsApp denominado “Transfer Jeri Fortaleza”; e por depoimentos. O grupo se intitulava “Tropa do Pezão”", indicou o MP do Ceará.
Adolescente passava férias com o pai
Henrique Marques de Jesus foi confundido por integrantes da facção criminosa carioca Comando Vermelho (CV) com um integrante da facção rival Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo o inquérito policial. As diligências não conseguiram comprovar que o adolescente tivesse qualquer envolvimento com alguma organização criminosa.
Ele estava de férias com a família em Jericoacoara. Os delegados disseram que Henrique foi sequestrado em um beco da Vila de Jeri após jantar com o pai e que no corpo da vítima havia sinais de tortura.
O delegado Júlio Moraes, titular da delegacia de Jericoacoara, afirmou que o jovem passava férias com o pai, em Jericoacoara e que "no fim da viagem, no período noturno, perto das 21h, eles passeavam na Vila. O pai decidiu ficar e o filho retornou para a pousada. Nesse momento o filho foi sequestrado, o pai voltou para pousada de madrugada e se deu conta que o filho tinha sumido".