Justiça marca júri de mulher acusada de matar esposo PM em Fortaleza

A denunciada diz que o disparo foi acidental.

Matéria por  Emanoela Campelo de Melo
07 de Novembro de 2025 - 07:00
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Acusada de assassinar a tiros o marido, Renata Íris de Souza Araújo Pinheiro já tem data para sentar no banco dos réus pelo crime. A Justiça do Ceará marcou o julgamento da denunciada para o próximo dia 2 de dezembro.

Um conselho formado por populares é que deve decidir se Renata é inocente ou culpada pela morte do policial militar Wagner Sandys Pinheiro de Lima. A sessão está programada para começar às 9h30, no Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza.

Testemunhas de defesa e de acusação foram convocadas para comparecer ao julgamento na 2ª Vara do Júri. Em documentos, a defesa alega que o disparo foi acidental e aconteceu durante uma discussão do casal.

Renata é denunciada por homicídio qualificado (por motivo fútil e uso de arma de fogo restrita).

A assistência de acusação, representada pelos advogados Samir David e Jader Aldrin Evangelista Marques, considera que "neste júri, o que vai estar em julgamento não é só a morte de um homem, é o fim brutal de um policial exemplar, condecorado, pai e cidadão".

"Wagner foi morto dentro da própria casa, pelas costas, enquanto descansava no sofá — sem chance alguma de defesa. A verdade está nas provas, nos laudos, nas lágrimas da filha que gritou ‘eu nunca vou te perdoar, mamãe’. A assistência da acusação vai ao plenário para mostrar que este crime não foi um acidente, foi uma execução fria e calculada. Nossa missão é honrar a memória de Wagner e fazer justiça em nome da verdade e da lei"
Advogados

[ATUALIZAÇÃO às 12h34]

A defesa de Renata enviou nota ao Diário do Nordeste afirmando que "o papel da defesa no Tribunal do Júri é restabelecer a verdade: a Renata íris era uma mulher psicologicamente esgotada por viver muitos anos de violência doméstica proporcionados pelo seu então esposo, Wagner Sandys. Morreu por um único tiro na região frontal do ombro após uma discussão em que ele, policial militar de folga em sua residência, decidiu brigar e ameaçar a mulher com sua arma funcional municiada e destravada, pronta para uso".

As advogadas de defesa Jéssica Rodrigues e Cinthia Souza acrescentam que "no momento, Wagner perguntou a Renata como ela gostaria de morrer “se com um tiro na cabeça ou no peito”,  Renata, em um legítimo ato de desespero puxou a arma de Wagner e desferiu um único tiro que, de novo, atingiu a região da frente do ombro.  Não pelas costas, como uma inverdade que a assistência de acusação insistir em propagar."

[ATUALIZAÇÃO às 14h17]

Após posicionamento da defesa, a assistência da acusação enviou nota nova dizendo que "atua restrita às provas constantes dos autos e não em narrativas. O laudo pericial nº 2024-048-5062, assinado pelo médico-legista Dr. Raimundo Nonato Lima, comprova que o disparo atingiu o policial pelas costas, com trajetória da esquerda para a direita e crânio-caudal. O exame de local confirma dois disparos, provas técnicas jamais impugnadas pela defesa. No dia do Júri, toda a verdade real será apresentada pelo Ministério Público, detentor da ação penal, com o apoio firme e técnico da assistência da acusação.”

SUPOSTAS AMEAÇAS

Renata diz que já vinha sendo ameaçada pelo esposo e na noite do dia 23 de dezembro de 2024 o esposo chegou em casa, sentou em uma poltrona na posse da arma e ficou ameaçando que ia matá-la.

A acusada teria dito a um policial que atendeu a ocorrência que em um descuido do esposo conseguiu pegar a arma que estava na perna dele, se afastou e quando o agente tentou tomar a arma dela ela teria "disparado contra o mesmo duas vezes nas costas". 

A juíza da 2ª Vara do Júri considerou que a materialidade do delito está "devidamente comprovada e, após a regular instrução probatória, constatou-se a existência de indícios suficientes de que a acusada Renata Iris de Souza Araújo Pinheiro concorreu para o crime previsto no art. 121, § 2º, incisos II e VIII, capaz de justificar a determinação de julgamento em plenário do Júri".

FLAGRANTE

Renata Íris foi presa em flagrante. Segundo um policial que atendeu a ocorrência, ele se deparou com a mulher e uma criança chorando muito falando "que o pai dela estava morto e pedindo pra gente ajudar" (sic).

Consta em documentos obtidos pela reportagem que a família da vítima tinha conhecimento que o casal discutia com frequência. 

No dia do crime, Wagner Sandys ainda teria chegado a enviar mensagens para a irmã dele dizendo que terminaria o relacionamento.

De acordo com a acusação, os familiares da vítima foram unânimes em declarar que acusada era bastante ciumenta e que por vezes já teria agredido fisicamente seu companheiro, e que ninguém presenciou o evento criminoso".



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