Justiça marca júri de 'Angelina Jolie' e comparsas, acusados de torturar e matar mulher no Ceará

A vítima foi sentenciada à morte pelo 'Tribunal do Crime' do Comando Vermelho

Matéria por  Emanoela Campelo de Melo
03 de Fevereiro de 2025 - 07:00
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Uma das mulheres que já exerceu cargo de liderança dentro de facção criminosa no Ceará deve sentar no banco dos réus no próximo dia 13 de março, a partir das 8h30. Nesta data, está programado para acontecer o julgamento de Angelina Custódio da Silva, a 'Angelina Jolie' e outros comparsas dela.

Além de Angelina, também devem ser julgados: Francisco Anderson Gomes Braz, o 'Lobinho'; Victória da Silva Costa; Camila Souza Aguiar; Francisco Nailson Ferreira da Silva, o 'Pepeu'; e João Luiz Martins dos Santos.

Todos eles são acusados de homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, tortura e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima, lesão corporal e associação criminosa. O processo principal do caso tramita em segredo de Justiça.

Juntos, de acordo com a acusação, torturaram e mataram Edna Soares Cordeiro. Segundo o Inquérito Policial da Delegacia Municipal de Cascavel, Edna foi sentenciada à morte por um "tribunal do crime" da facção Comando Vermelho (CV) após publicar fotografias nas redes sociais em que supostamente fazia alusão à organização Guardiões do Estado (GDE).

A irmã da vítima, uma adolescente grávida, também foi torturada, mas acabou sendo solta.

VÍTIMA FOI DEGOLADA

O crime aconteceu em Pacajus, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), em 2021. Consta no inquérito que a vítima foi chamada por supostos amigos para ir a uma residência em Pacajus e levou a irmã mais nova. 

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No local, Edna começou a ser questionada por outras mulheres sobre as fotos em que fazia um sinal de "três" com os dedos. Um homem se aproximou com uma faca e obrigou a vítima a entregar o aparelho celular. Depois, outro suspeito surgiu com um revólver e ordenou que Edna falasse sobre a facção rival.

O proprietário do imóvel pediu para o grupo resolver os "BOs" (gíria para "problemas") fora de casa. Os criminosos, então, levaram Edna e a irmã, a pé, até um matagal, onde tinha um açude, na localidade de Pajeú. No local, 4 mulheres e 6 homens começaram a torturar as duas jovens, com golpes de cabo de pá nas costas. Também fizeram fotografias das mesmas e enviaram para comparsas decidirem o destino delas, em uma espécie de "tribunal do crime".

Edna teve a cabeça afogada no açude algumas vezes, sofreu golpes de faca na barriga e terminou sendo degolada. 

O corpo foi deixado na água e encontrado no dia 9 de julho deste ano. Enquanto a irmã, que estava grávida, sofreu um sangramento vaginal, devido a violência sofrida, e foi levada pelos criminosos a uma unidade de saúde. Depois de ser atendida, a adolescente foi liberada pela facção carioca.



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