Júri do pistoleiro Cássio Santana é marcado; vítima teve cadeado colocado na boca e orelha cortada

Julgamento acontece após 22 anos do crime. Cássio também foi acusado por outros crimes, como a morte do radialista Nicanor Linhares e por uma chacina

Matéria por  Redação
04 de Outubro de 2025 - 07:00
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Um nome conhecido no 'mundo da pistolagem' volta a sentar no banco dos réus. A Justiça agendou, após 22 anos, o júri popular de Cássio Santana de Sousa, também conhecido como 'Careca' e 'Monstro', acusado de uma série de homicídios no Ceará e membro da facção Comando Vermelho (CV). 

O Tribunal do Júri deve julgar Cássio no próximo dia 17 de novembro de 2025, a partir das 9h, pela morte de Valdeci Noronha Maia. O crime aconteceu no ano de 2003, com requintes de crueldade.

A vítima chegou a ter a orelha esquerda e a língua decepadas. Segundo a acusação, em seguida, os criminosos colocaram um cadeado na boca do homem "em um estarrecedor ato de barbárie e selvageria".

O pistoleiro Cássio Santana segue detido na Unidade Prisional de Segurança Máxima do Estado do Ceará, localizada na Região Metropolitana de Fortaleza. De acordo com a publicação no Diário da Justiça dessa quinta-feira (2), é preciso adotar as providências necessárias para conduzir e apresentar o preso no júri.

AMEAÇAS

Conforme documentos a que a reportagem teve acesso, Valdeci teve o crime encomendado porque supostamente "sabia de muita coisa", se tratando de um crime com características de 'queima de arquivo'.

Raimundo Nonato Sobrinho e Raimundo Dias Pinheiro também foram acusados pelo homicídio. No entanto, Raimundo Dias morreu no decorrer do processo e teve extinta a punibilidade.

No dia 9 de março de 2003, por volta das 16h, Valdeci trafegava na estrada que liga o distrito de Olho D'Água da Bica até Tabuleiro do Norte. 

A vítima estava na companhia de uma mulher, na garupa da motocicleta. Os criminosos chegaram ordenando que a mulher corresse em direção a um matagal e logo em seguida efetuaram os disparos contra o alvo.

Em 2011 veio a sentença de pronúncia com a decisão dos denunciados irem a júri popular. As defesas deles não foram localizadas pela reportagem.

CHACINA E MORTE DE RADIALISTA

No ano de 2009, Cássio Santana foi julgado pelo assassinato do radialista Nicanor Linhares Batista, executado por matadores de aluguel na noite de 30 de junho de 2003, na cidade de Limoeiro do Norte.

O julgamento do pistoleiro ocorreu no Fórum Clóvis Beviláqua, onde parentes do radialista estavam presentes. Pelo crime, Santana teria recebido apenas R$ 6 mil, do total de R$ 15 mil prometidos.

Nicanor Linhares foi assassinado dentro do estúdio da Rádio Vale do Jaguaribe quando gravava seu programa.

A Polícia investigou o caso e descobriu que ele teve motivação política. Na época, o radialista fazia severas críticas à administração do Município. No dia do crime, a emissora foi invadida por quatro bandidos armados. Eles fuzilaram o locutor e, sem seguida, fugiram em duas motocicletas. 

Cássio também foi apontado como um dos responsáveis pela chacina de sete pessoas em Limoeiro. O crime teria sido uma represália depois que a Polícia deteve a mulher de um comparsa dele.

As vítimas foram fuziladas com tiros à curta distância e seis delas ainda tiveram uma das orelhas arrancadas pelos matadores, caracterizando a crueldade. Os mortos foram identificados como Franciclésio de Jesus Lima, 21; José Aírton Nogueira de Sousa, 37; Francisco Hudson Mendes Pereira, 25; Francisco Francimar Silva Arruda, 23; Raimundo Izaildo da Costa, 49; Raimundo César Alves da Silva, o ´Cezinha´, 31; e Juan Castro Brito, 22 anos. 

A chacina aconteceu em 2003 e o julgamento em 2011. A sentença de 144 anos de prisão para Cássio Santana foi devido aos seis homicídios triplamente qualificados e homicídio duplamente qualificado.

 

 

 

 



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