Jogo do Tigrinho: Justiça nega que influenciadora denunciada retome conta no Instagram

Paloma é acusada por integrar organização criminosa.

Matéria por  Redação
16 de Dezembro de 2025 - 08:00
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A Justiça do Ceará manteve as medidas cautelares diversas da prisão impostas à influenciadora Paloma Silva da Costa. Os juízes da Vara de Delitos de Organizações Criminosas indeferiram o pedido da defesa para que a acusada retomasse suas redes sociais.

Paloma foi um dos alvos de operação policial após divulgar o 'Jogo do Tigrinho'. O Colegiado determinou a suspensão da conta do Instagram da denunciada "em razão da existência de elementos que apontam a utilização da rede social como o instrumento direto da prática delituosa".

Para o Poder Judiciário, a manutenção das medidas cautelares é adequada "diante da gravidade do crime imputado ao requerente, sobretudo, aliada às circunstâncias do fato e às suas condições pessoais, posto que, caso seja revogada as medidas cautelares impostas, terá as mesmas condições que tinha anteriormente a investigação e, provavelmente, voltará a dar continuidade à prática delitiva".

A defesa da influenciadora disse que irá recorrer, “já que decisões que decretam medidas cautelares, sejam reais ou pessoais, tem o seu caráter de cautelaridade, ou seja, devem ter tempo determinado e, o colegiado da Vara de Delitos de Organizações Criminosas não fixou o lapso temporal do cumprimento das medidas. Por isso entendemos ser uma decisão genérica, vaga de fundamentação”.

SEQUÊNCIA DE CRIMES

Paloma e outros 12 influenciadores foram denunciados pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) por uma série de crimes, como integrar organização criminosa, lavagem de dinheiro e estelionato. Os investigados movimentaram mais de R$ 14,3 milhões, nos últimos cinco anos, segundo a denúncia.

A acusada chegou a ser presa, mas está solta, ainda proibida de se ausentar da comarca onde reside e obrigada a manter seu endereço atualizado.

A organização criminosa se concentrava em Juazeiro do Norte, na Região do Cariri, e cometeu os crimes entre os anos de 2023 e 2025, disse o MP. 

Os influenciadores recebiam pagamentos de "chineses" (que ainda não foram identificados) para promover plataformas ilegais de jogos de azar ou cassinos online.

A denúncia foi apresentada pelo MPCE à Justiça Estadual no dia 6 de maio deste ano. A Vara de Delitos de Organizações Criminosas recebeu a denúncia e os acusados viraram réus no processo criminal, uma semana depois.

QUEM SÃO OS OUTROS ACUSADOS:

  • VICTORIA HAPARECIDA DE OLIVEIRA ROZA, 
  • MILENA PEIXOTO SAMPAIO,
  • JANISSON MOURA SANTOS,
  • WELLINGTON LIMA DE ALENCAR, 
  • WALYSSON LIMA DE ALENCAR,
  • MARIA GABRIELA
  • CASIMIRO DA SILVA FERNANDES, 
  • INESSA KARLA NOGUEIRA, 
  • TASSIA AVELINA FRANKLIN LEANDRO e
  • DARLEY FELIPE SANTOS DIAS 

As influenciadoras Victoria Haparecida de Oliveira Roza e Tassia Avelina Franklin Leandro tiveram as maiores movimentações financeiras, segundo as investigações policiais.

'VAMOS SER PILANTRAS TAMBÉM'

Consta em documentos que a reportagem teve acesso que os suspeitos levavam vida de luxo, debochando das autoridades e dos seguidores que relataram que 'tinham perdido tudo' no 'Jogo do Tigrinho' e pediam conselhos para parar o vício em apostas.

Os suspeitos chegaram ainda a prometer pix aos seguidores, mas na maior parte das vezes não faziam as transferências. 

Em uma das conversas analisadas pelos investigadores, uma influenciadora chegou a dizer: "vamos ser pilantras também", se referindo à divulgação das apostas. Em outra ocasião, uma das indiciadas falou que tinha parado a divulgação por um tempo "porque Deus tinha tocado no seu coração".

Para a Polícia, de acordo com as investigações, "não há dúvidas que eles se associaram com o fim de praticar crimes de estelionato, crimes contra a economia popular e crimes contra o consumidor relacionados à exploração e divulgação de plataformas de cassino online não autorizadas no país, cujas penas superam 4 anos".

'CONTA DEMO'

Segundo as investigações, os influenciadores utilizavam uma "conta demo" ou "conta teste" que era fornecida pelos donos de plataformas que só apresentavam lucros.

"Então, seriam lucros irreais que seriam divulgados nas redes sociais aos seguidores e fazendo com que eles apostassem, criassem novos cadastros nessas plataformas. Divulgando cada vez mais aquela vida de ostentação", explicou Giovani Moraes, delegado do Núcleo de Inteligência de Juazeiro do Norte. 

Além das capturas e das apreensões de carros de luxo, a Polícia afirmou que foram bloqueadas as contas bancárias dos suspeitos.

 



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