Instrutor suspeito de agredir policial do MA segue atuando em cargo da Polícia Militar no Tocantins

Profissional foi afastado de curso tático após autoridades cearenses tomarem conhecimento do caso

Matéria por  Carol Melo
22 de Junho de 2023 - 10:14
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O agente de segurança suspeito de agredir uma investigadora da Polícia Civil do Maranhão (PC-MA), de 53 anos, durante um curso tático realizado no Ceará, não foi afastado do cargo na Polícia Militar de Tocantins (PM-TO). 

A corporação detalhou, nesta quinta-feira (22), que o oficial "encontra-se desempenhando atividades não relacionadas a capacitações e cursos, estando sob supervisão". O homem, que é cabo da autoridade, atua nela desde 2014.

Segundo a policial civil, que ainda não será identificada por motivos de segurança, ela e outras mulheres foram agredidas com pauladas pelo profissional no último dia 8 de junho. As nádegas da agente ficaram com hematomas. A mulher ainda relatou que foi chamada de "velha" enquanto era lesionada, como uma forma de "pressão psicológica".

 

Em nota, a PM-TO esclareceu que, ao tomar conhecimento do caso, através da imprensa, solicitou toda a documentação existente sobre caso à Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará (SSPDS), responsável pela investigação.

A autoridade detalhou que ainda aguarda a documentação para tomar ciência oficialmente dos fatos e, se for o caso, adotar os procedimentos necessários.

"A Polícia Militar repudia veementemente qualquer desvio de conduta e/ou excesso direcionado a qualquer pessoa, praticado por policial em razão da função ou fora dela e reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e o respeito aos direitos humanos", disse a corporação no comunicado enviando ao Diário do Nordeste.

AGRESSÃO A PAULADAS

Agente foi agredida por instrutor policial de Tocantins
Legenda: Agente foi agredida por instrutor policial de Tocantins
Foto: Reprodução

No último dia 8 de junho, a investigadora da Polícia Civil afirmou que foi agredida a pauladas pelo instrutor durante a 3ª edição do Curso Tático Policial Feminino (CTAP), promovido pela Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará (Aesp). Ela teve hematomas nas nádegas e divulgou o caso nas redes sociais após pedir para sair da capacitação e retornar ao estado de origem. 

A agende contou ao Diário do Nordeste que pediu desligamento da instrução e retornou ao alojamento, onde foi procurada pela coordenação do Curso e por policiais. Eles teriam pedido desculpas e solicitado que ela voltasse às aulas, mas, segundo relata, o trauma da agressão a deixou com medo. 

Nessa quarta-feira (21), o delegado-geral de Polícia Civil do Maranhão, Jair Paiva, informou que a corporação acompanha o caso. Em pronunciamento, ele disse "acreditar que tudo vai ser esclarecido e que os culpados serão responsabilizados".

O titular ainda pontuou que a Polícia maranhense tem trocado informações e documentos com a corporação cearense. Além de prestar depoimento à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) em Fortaleza, a policial agredida foi ouvida na Delegacia Geral de São Luís ao retornar para casa.   

Inquérito e afastamento do curso

Conforme a SSPDS, o policial de Tocantins suspeito das agressões, que atuava como instrutor do CTAP, foi "imediatamente afastado" das aulas. 

Ainda conforme a Pasta, a Controladoria Geral de Disciplina (CGD) dos Órgãos de Segurança Pública, que é "autônoma e isenta", determinou "imediata instauração de procedimento disciplinar para devida apuração na seara administrativa disciplinar". 

"Por fim, a SSPDS frisa que não compactua com tais condutas e salienta que todas as denúncias apresentadas passam por investigação preliminar no intuito de que indícios de autoria e materialidade sejam colhidos para dar subsídios ao oferecimento de instrução processual e adoção de medidas cabíveis na esfera criminal", conclui.



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