Idoso que trocava abrigo de lona por trabalho em pedreira é resgatado no CE

O homem extraía pedras manualmente há três anos e as transformava em paralelepípedos.

Matéria por  Luana Severo
05 de Novembro de 2025 - 19:56
capa da noticia

Um idoso de 61 anos, analfabeto, trabalhou durante três anos em uma pedreira em Juazeiro do Norte, na Região do Cariri, recebendo, em troca, a possibilidade de morar em uma barraca de lona sem banheiro e sem acesso à água potável. Os auditores do trabalho disseram que ele retirava pedras manualmente e as transformava em paralelepípedos.

Segundo o auditor-fiscal do trabalho Maurício Krepsky, que atuou no resgate do trabalhador da condição análoga à escravidão, a pedreira fica em Salgadinho, próximo à cidade-sede, e estava oficialmente inativa devido à uma proibição ambiental.

"Esse senhor estava fazendo a extração os poucos. Ele trabalhava há três anos [lá] e tinha um barraco de lona no qual dormia, dentro da pedreira. Não tinha condição de alguém viver dentro dali, mas ele tinha um sentimento de quase gratidão pelo dono da pedreira, por deixar ele morar lá", relatou.

27 de outubro
Foi a data que teve início o resgate.

O idoso também não recebia salário, embora trabalhasse diariamente. Contudo, após o resgate, a empresa foi obrigada a pagar a ele na última segunda-feira (3) um valor em torno de R$ 8 mil, sendo R$ 6,7 mil de direitos trabalhistas rescisórios e R$ 1,3 mil de danos morais individuais negociados com a Defensoria Pública da União (DPU).

O idoso trabalhava em troca de morar em um barraco de lona.
Legenda: O idoso trabalhava em troca de morar em um barraco de lona.
Foto: Divulgação/Secretaria de Inspeção do Trabalho.

No relatório final sobre o caso, os auditores do trabalho devem ainda encaminhar ao órgão ambiental responsável a informação de que a pedreira seguia funcionando sem permissão.

Homem foi acolhido por associação

Segundo Krepsky, o homem aceitou o trabalho degradante por falta de escolha e por haver, contra ele, uma medida protetiva que o afastava da ex-mulher. Além disso, "ele é da região e conhecia o dono da pedreira", lembrou o auditor.

O homem extraía manualmente as pedras e as transformava em paralelepípedos.
Legenda: O homem extraía manualmente as pedras e as transformava em paralelepípedos.
Foto: Divulgação/Secretaria de Inspeção do Trabalho.

Em reunião com os fiscais do trabalho, os proprietários do local alegaram, inclusive, que achavam que estavam ajudando o idoso. "Disseram que havia esse entendimento de que estariam ajudando aquela pessoa naquele momento, mas a gente explicou que isso não era uma ajuda, configurava uma relação de emprego", disse Krepsky.

Por ter sido resgatado, o homem encerrou seu vínculo com a pedreira e foi acolhido por uma associação local.

Resgates no Nordeste

Além de Juazeiro do Norte, os auditores-fiscais do trabalho, em parceria com agentes da Polícia Federal, fizeram inspeções e resgates em Caldeirão Grande, no Piauí, e em Araripina, Exu e Parnaramirim, em Pernambuco. 

Nos locais, as equipes encontraram trabalhadores alojados em lugares precários e que também não tinham carteira assinada e não utilizavam equipamentos de proteção individual (EPI's).

Como denunciar trabalho escravo?

Denúncias de trabalho análogo ao de escravo podem ser feitas no Sistema Ipê da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT). Também é possível denunciar de maneira anônima.



Você atingiu o limite de matérias gratuitas desse mês, adquira uma assinatura digital para desbloquear esta notícia e mais do melhor jornalismo local

Já é assinante? Entre com sua conta
Logo

Tenha acesso ilimitado ao maior portal de notícias do Nordeste

DN FREE

Crie uma conta gratuita e desbloqueie o conteúdo completo.
Gratuito
Acesse mais conteúdos de forma gratuita
Fique conectado às principais notícias e assuntos que movimentam o Nordeste
Explore conteúdos com credibilidade e mantenha-se sempre bem informado

DN MENSAL

Acesso ilimitado a todo conteúdo digital.
R$ 1200 /mês

Tudo do plano gratuito, e:

App Diário do Nordeste
Diário do Nordeste: Assinatura Digital
Diário do Nordeste: Assinatura Física

DN ANUAL

60 dias gratuitos. Acesso ilimitado a todo conteúdo digital.
R$ 12000 /ano

Tudo do plano gratuito, e:

Diário do Nordeste: Assinatura Digital

Teste Cartão Rede

Teste Cartão
R$ 1000 /mês

Tudo do plano gratuito, e:

Teste Limitação

Teste-teste
R$ 990 /mês

Tudo do plano gratuito, e:

Diário do Nordeste: Assinatura Digital

Precisa de Ajuda?

Entre em contato com a nossa central de atendimento: