Ida ao presídio, 'golpe de estado' e mortes em série: o que há por trás da execução de jornalista

O dono do site de notícias foi assassinado enquanto caminhava, no Pirambu, em fevereiro deste ano

Matéria por  Emanoela Campelo de Melo
04 de Abril de 2022 - 14:00
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A execução do jornalista e dono de um site de notícias no Pirambu, Givanildo Oliveira, está ligada a uma sequência de outros crimes cometidos em poucas horas e pelo mesmo grupo de traficantes. A reportagem do Diário do Nordeste teve acesso a documentos, nos quais constam os fatos ocorridos naquela área da Capital e que culminou em uma morte emblemática, para "calar a voz" de quem ousava apontar suspeitos por ações criminosas.

Foi durante a visita a um filho interno no presídio de Segurança Máxima no Ceará que uma mulher repassou informações de que um homem conhecido como 'Leleco' vinha dando ordens no Pirambu para movimentar o tráfico na região. 

Na primeira semana de fevereiro de 2022, os soldados de Leleco se preparavam para "aplicar um golpe de estado", ou seja, romper com o grupo ao qual pertenciam e aderir a uma nova facção para retomar pontos de tráfico de drogas.

No dia 6 de fevereiro, membros da facção carioca teriam descoberto a pretensão e antecipado o ataque. Conforme investigação da Polícia Civil do Ceará, Erleson Rodrigues de Souza, Micael Rodrigues Lima e 'Tio Chico' invadiram uma casa onde moravam os gêmeos Breno de Carvalho Sena e Brendo Carvalho Sena, e onde também estaria a mulher que dias atrás havia ido ao presídio.

Os gêmeos conseguiram reagir, tomar as armas e mataram Erleson. Ali, começava a sequência de assassinatos, que ainda iria vitimizar o jornalista. Breno e Brendo fugiram e mais casas foram invadidas na região. Horas depois, os corpos de Lucas Woldem Santos Aragão e Rylner Miranda Sousa foram encontrados em um carrinho.

DUPLO HOMICÍDIO

O duplo homicídio repercutiu no Pirambu. Em poucos minutos, a notícia das mortes estava no site de notícias de Givanildo, assim como posteriormente a notícia de que a Polícia havia prendido Francisco Airton Vieira Araújo, como suspeito pelos assassinatos. A publicação desagradou aos membros da facção que se viram "diante do perigo iminente de perder o faturamento com o tráfico de drogas nessa comunidade".

Não demorou até que os criminosos decidissem se vingar do jornalista. Givanildo Oliveira foi executado enquanto caminhava nas ruas do bairro onde morava. O crime foi flagrado por câmeras de segurança do entorno. 

Conforme as imagens, um homem vestido de gari abordou a vítima, enquanto ela estava de costas. Testemunhas apontaram que o assassino era Thiago de Sousa Barros. Ele foi preso, mas negou ter participado do homicídio.

Na versão do suspeito, ele diz ter presenciado os fatos. Mas para a Polícia, "tudo levar a crer que ele estava dentre os autores" e que a ordem para o crime partiu do alto escalão local da facção carioca. Todos os citados foram indiciados pela PCCE, com base na Lei de Organizações Criminosas.

Thiago segue preso desde então. Na última semana, a defesa dele tentou novamente o relaxamento da prisão, mas teve pedido negado na Justiça Estadual.



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