Homem vira réu por aplicar 'golpe do jacaré' em agência bancária do CE

Crime teria sido cometido com o auxílio de uma parceira não identificada pela Polícia.

Matéria por  Sofia Leite*
23 de Novembro de 2025 - 08:00
capa da noticia

A Justiça aceitou a denúncia feita pelo Ministério Público Federal relacionada a um caso de furto qualificado na cidade de Horizonte, no interior do Ceará. Ítalo Kellton Alves de Sousa é acusado de furtar R$ 4.835 de uma agência da Caixa Econômica Federal no dia 7 de maio de 2023. O banco confirmou a subtração do valor.

Ítalo e uma mulher, que não foi identificada pela polícia, teriam usado um dispositivo conhecido como "pescaria" ou "jacaré" para realizar o crime.

A ação foi percebida por uma pessoa que se dirigiu ao caixa eletrônico onde estava o dispositivo e constatou a presença do "jacaré". O homem demonstrou espanto com a situação, o que provocou uma abordagem por parte de Ítalo Kellton. O acusado foi "tirar satisfação" com o homem. Ele ficou intimidado com a aproximação de Ítalo e se retirou da agência. No caminho, o homem ainda foi perseguido pelo réu, que tentou levar o veículo da testemunha.

Ítalo, então, fugiu em um veículo Celta prateado com a comparsa. Depois disso, a testemunha acionou a Polícia Militar sobre a suspeita de crime. Policiais abordaram o carro, mas não encontraram o dispositivo que teria sido usado para realizar o crime. 

No entanto, os agentes identificaram a existência de 33 cartões magnéticos em nome de Ítalo Kellton, uma fita adesiva dupla face, tesouras e um documento de identidade de uma mulher, supostamente a comparsa de Ítalo. A fita adesiva é comumente usada em casos de "golpe do jacaré".

Como funciona o crime

O golpe consiste em instalar o dispositivo conhecido como "pescaria" ou "jacaré" em um caixa eletrônico da agência para "pescar", de dentro do equipamento, envelopes com dinheiro dos clientes que fizeram operações de depósitos naquele caixa. Depois disso, os golpistas resgatam os envelopes e ficam com o dinheiro.

O dispositivo usado por Ítalo Kellton foi instalado no terminal de autoatendimento por volta das 10 horas da manhã do dia do crime.

Identificação do réu

A testemunha que estava na agência da Caixa Econômica no momento da ação reconheceu o denunciado através de análise das imagens das câmeras de segurança do banco e por meio de videochamada.

A esposa de Ítalo Kellton também foi chamada para realizar a identificação do acusado em imagens. A mulher confirmou que a filmagem do banco mostrava o marido.

Outras acusações

A Polícia Federal realizou a comparação das imagens de segurança fornecidas pela agência da Caixa Econômica em Horizonte com os registros fornecidos por outras agências vítimas de furtos praticados em condições semelhantes ao caso em questão. 

Embora a maioria das comparações tenha apresentado resultado negativo ou inconclusivo, é possível verificar que as imagens de Ítalo Kellton na agência Horizonte apresentam um perfil muito semelhante ao autor de um furto praticado na agência de Limoeiro do Norte em março de 2024. Ambos os sujeitos que aparecem na imagem não só apresentam o mesmo tipo físico como parecem estar vestindo as mesmas roupas.

Além disso, um homem com o mesmo perfil do acusado foi visto em imagens dos circuitos de segurança fornecidas pela agência da Caixa Econômica de Russas, também vítima de furtos praticados em condições semelhantes, inclusive com a participação de uma mulher não identificada. 

Devido a essas informações, o Ministério Público Federal entendeu que há indícios de que o acusado possui conduta criminosa habitual.

O que diz o acusado

Ítalo Kellton negou ser autor de qualquer furto, afirmando que estava apenas realizando um saque na agência da Caixa Econômica. Sobre os itens encontrados no veículo, ele alegou que costuma andar com todos os cartões que possui de crédito e de lojas. Já em relação à fita adesiva e à tesoura, o acusado disse, em um primeiro momento, que usa os objetos para colocar as peças de moda íntima que ele vende em cabides.

Em um segundo depoimento, Ítalo confirmou que era a pessoa mostrada nas imagens das câmeras de segurança da agência, mas seguiu negando a autoria do crime. O que mudou no relato dele foi a explicação com relação aos objetos encontrados no carro. Ele disse que a fita serviria para colar o retrovisor do carro em que estava e a tesoura, para cortar a fita.

A reportagem não conseguiu localizar os profissionais responsáveis pela defesa de Ítalo Kellton Alves de Sousa.

*Estagiária sob supervisão do jornalista Emerson Rodrigues



Você atingiu o limite de matérias gratuitas desse mês, adquira uma assinatura digital para desbloquear esta notícia e mais do melhor jornalismo local

Já é assinante? Entre com sua conta
Logo

Tenha acesso ilimitado ao maior portal de notícias do Nordeste

DN FREE

Crie uma conta gratuita e desbloqueie o conteúdo completo.
Gratuito
Acesse mais conteúdos de forma gratuita
Fique conectado às principais notícias e assuntos que movimentam o Nordeste
Explore conteúdos com credibilidade e mantenha-se sempre bem informado

DN MENSAL

Acesso ilimitado a todo conteúdo digital.
R$ 1200 /mês

Tudo do plano gratuito, e:

App Diário do Nordeste
Diário do Nordeste: Assinatura Digital
Diário do Nordeste: Assinatura Física

DN ANUAL

60 dias gratuitos. Acesso ilimitado a todo conteúdo digital.
R$ 12000 /ano

Tudo do plano gratuito, e:

Diário do Nordeste: Assinatura Digital

Teste Cartão Rede

Teste Cartão
R$ 1000 /mês

Tudo do plano gratuito, e:

Teste Limitação

Teste-teste
R$ 990 /mês

Tudo do plano gratuito, e:

Diário do Nordeste: Assinatura Digital

Precisa de Ajuda?

Entre em contato com a nossa central de atendimento: