Grupo criminoso formado por policiais e traficantes extorquiu proprietário de mercadinho

Policiais civis e militares se associavam a traficantes para "caçar" recompensas financeiras, a partir da extorsão a outros criminosos

Matéria por  Redação
24 de Setembro de 2020 - 06:00
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Além dos traficantes, outros alvos do grupo criminoso eram os agiotas (pessoas que emprestam dinheiro a juros). Um deles, proprietário de um mercadinho na periferia, foi extorquido pela organização criminosa no dia 19 de janeiro de 2017, conforme a denúncia.

Um homem não identificado avisa a Valberto Evangelista que "se pegarem ele (agiota) no meio da rua vai ter dinheiro, que quando ele está rodando o celular dele não para".

Valberto aciona Paulo Rogério, que recruta Fabiano de Brito e policiais miliares de serviço para realizarem a abordagem. Cerca de uma hora depois, Valberto liga para o homem não identificado para marcarem um local de encontro, no bairro Messejana, o que os investigadores acreditam que fosse para dividir o dinheiro.

Valberto ainda sugere ao comparsa para dizer para um terceiro homem que "foi só dez contos (R$ 10 mil)", porque "é muita gente". Mas o homem não identificado já informou ao outro o real valor, que não fica explícito. Em outra ligação, Valberto afirma a Rogério que "vai dizer que foi quarente (R$ 40 mil).

Operação realizou prisões de policiais civis e militares

A Operação Gênesis cumpriu 17 mandados de prisão preventiva, contra nove PMs, três policiais civis da ativa, um policial civil aposentado e cinco traficantes. O grupo atuava na Capital e na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), com extorsão de traficantes médios e pequenos e agiotas.

As informações sobre os alvos eram levantadas pelos traficantes da organização criminosa e pelos policiais, às vezes com uso do sistema da Polícia. E os PMs realizavam as abordagens no exercício da função pública, com a viatura policial, para dar ares de legalidade, segundo o Gaeco.

A denúncia já foi aceita pelas varas de Delitos de Organizações Criminosas e da Auditoria Militar do Ceará, e os acusados se tornaram réus, pelos crimes de extorsão, comércio ilegal de arma de fogo e organização criminosa, conforme a participação individual.

Defesa

O advogado Kaio Castro, coordenador jurídico do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Ceará, afirmou que os fatos apurados são frágeis e as interceptações telefônicas são antigas e foram tiradas de contexto. Disse ainda que as prisões preventivas “são excessivas”. Sobre as acusações contra o policial civil aposentado Valberto Costa, Kaio Castro disse que “foram utilizados trechos específicos (da interceptação telefônica) que serão explicados no momento processual oportuno, pois até hoje ele sequer foi ouvido e não tivemos acesso a integralidade da interceptação”.

A defesa de Fabiano Brito, patrocinada pelo advogado Gílson Alves, foi procurada, mas não respondeu até o fechamento desta matéria. Já os advogados do PM Paulo Rogério não foram localizados.



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