Enfermeira que matou amante com injeção letal em Fortaleza é condenada a 28 anos de prisão

A mulher planejou o crime pois descobriu que estava grávida do amante, e pretendia esconder a relação extraconjugal de seu então marido

Matéria por  Redação
30 de Maio de 2025 - 13:42
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A enfermeira Nara Priscila Carneiro, de 41 anos, foi condenada a 28 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado por matar o amante com uma injeção letal em um hospital infantil de Fortaleza em 2017. A sentença foi dada pela 2ª Vara do Júri nessa quinta-feira (29), e a mulher, que respondia em liberdade, deve cumprir a pena inicialmente em regime fechado. 

A vítima foi o supervisor de atendimentos Ramam Cavalcante Dias, que tinha um relacionamento com a enfermeira e era colega de trabalho dela. Conforme a denúncia do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), Nara planejou o crime, pois descobriu que estava grávida do amante, e pretendia esconder a relação extraconjugal de seu então marido. 

Ramam foi encontrado morto em uma sala da Unidade de Cuidados Especiais (UCE) da unidade infantil com uma seringa fixada em seu braço direito. Foi identificado pela Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) que a dose tinha cloreto de potássio e midazolam. 

Na sentença, o juiz Antônio Josimar Almeida Alves, presidente do 2º Tribunal do Júri, aumentou a pena, que inicialmente foi fixada em 21 anos, devido ao crime ter sido realizado de forma que a vítima teve dificuldade em se defender. O magistrado também apontou "uso de meio insidioso", indicando que ela usou de dissimulação e traição. 

A acusada além de ter premeditado o delito, tinha plena consciência da ilicitude da sua conduta, e podia ter agido de forma diferente, mas, optou por agir com grau de reprovabilidade intenso, executando atos ilícitos que contrariam o juramento e a promessa formal que os enfermeiros fazem ao assumir o compromisso de cuidar da saúde e bem-estar das pessoas com ética e dedicação, além de agir de acordo coma lei e o código de ética da profissão
Antônio Josimar Almeida Alves
Presidente do 2º Tribunal do Júri

Conforme a denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE), o supervisor de atendimentos Ramam Cavalcante Dias foi encontrado morto dentro da sala da Unidade de Cuidados Especiais (UCE), no hospital infantil onde trabalhava, no Centro de Fortaleza, na tarde de 10 de julho de 2017. 

Enfermeira teve registro cassado 

O Conselho Regional de Enfermagem do Ceará (Coren-CE) informou, em nota, que Nara Priscila Carneiro tem graduação de Enfermagem, mas o Conselho deliberou pela cassação do direito ao exercício profissional da mulher pelo período de 30 anos, em outubro de 2019.

Segundo a denúncia do MPCE, Nara Priscila era a responsável pela sala onde o supervisor de atendimentos foi encontrado morto, e que eles estiveram juntos no local, antes dela sair.

Além da seringa encontrada na vítima, os peritos também acharam um pó branco nas narinas de Ramam, o qual descobriram se tratar de cocaína. Entretanto, a droga não estava na corrente sanguínea, o que, para os investigadores, provou que o pó foi colocado no corpo da vítima por outra pessoa.

A condenada e a vítima mantiveram um relacionamento extraconjugal, que resultou em uma gravidez da mulher, que estava com 7 meses. A acusada não queria que o amante interferisse no casamento de 11 anos dela com outro homem. E o amante não sabia que ela era casada.[/citacao]

Conforme a defesa, que negou o envolvimento de Nara, "no momento em que a defendente chegou ao hospital, não tinha conhecimento do falecimento de Ramam. Portanto, é inconsistente sugerir que ela teria agido de forma fria e maquiavélica para ocultar suas emoções diante de um suposto atentado à vida de seu amado".



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