Durante motim, PM foi à UPA forjando dores para conseguir atestado médico falso e faltar ao serviço

O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou o cabo Alexandre Gonçalves Moreira em janeiro deste ano de 2021

Matéria por  Emanoela Campelo de Melo
17 de Fevereiro de 2021 - 23:00
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Muitas histórias que entrelaçam o motim que completa um ano nesta quinta-feira (18). Para participar do movimento e tentar não ser suspenso da folha de pagamento do Governo Estadual, houve amotinado que forjasse dores a fim de conseguir atestado médico. Conforme denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE), o cabo Alexandre Gonçalves Moreira foi um desses.

No último dia 27 de janeiro, o MPCE denunciou o cabo pelos crimes de revolta militar em tempo de paz e omissão de lealdade militar. Consta na denúncia que policial esteve na condição de cabeça do movimento e ainda atentou contra viatura. A reportagem não localizou a defesa do agente.

De acordo com a acusação, antes do PM comparecer ao 18º Batalhão de Polícia Militar, no Antônio Bezerra, epicentro do motim,  Alexandre foi até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na Sapiranga alegando dor na coluna, "unicamente com intento de conseguir um testado médico falso para o eximir de comparecer ao serviço nos dias seguintes, bem como por estar desejoso de ver as viaturas do comboio arrebatadas, pelos ditos homens mascarados".

A viatura na qual o cabo foi socorrido ao se queixar das dores foi levada por amotinados nos arredores da unidade hospitalar. Para o Ministério Público, Moreira se acovardou do seu dever jurado ao ingressar na PMCE e não levou ao conhecimento do seu escalão superior "a trama insurgente que se executava".

"Conforme restou apurado, o criminoso Alexandre Gonçalves Moreira é mais um dos militares criminosos e traidores do povo cearense, que em fevereiro de 2020 buscaram implantar o caos e anarquia neste estado, voltando-se contra à ordem democrática e as autoridades constitucionais, só que sem sucesso. Descobriu-se que o criminoso denunciado compareceu na sede do 18º Batalhão de Polícia Militar, e fomentou a ocupação do quartel de forma ilegal, e lá agindo contra a recomendação deste Ministério Público Militar e a determinação do comando-geral da Polícia Militar, bem mesmo contra a ordem jurídica militar, recusando obediência aos seus superiores, assentindo em recusa conjunta de obediência, tomou efetiva participação na teatralização dos atos profanadores da ordem, da lei, da hierarquia e da disciplina", segundo trecho da denúncia.

Acusações

Até essa terça-feira (16), pelo menos 130 policiais militares foram denunciados por participar direta ou indiretamente do motim. O promotor Sebastião Brasilino considera o crime de revolta militar em temo de paz a ação mais grave dentre as acusações.

"Aguardamos a vinda de outros inquéritos. Acredito que até o fim deste ano cheguemos a mais de 200 denunciados relacionados ao motim. A pandemia prejudicou muito o andar as investigações, mas embora que tardia elas estão em andamento. Existe empenho grande da própria Corporação da PMCE para conscientizar que policiais militares não podem cometer estes crimes", destacou o promotor.



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