Dupla de SP presa em hotel de luxo em Fortaleza comprava milhares de dados de cartões na internet

Segundo as investigações da Polícia Civil do Ceará, os suspeitos pagavam até 10 mil dólares (ou seja, quase R$ 50 mil) para ter acesso às informações de mil vítimas

Matéria por  Messias Borges
10 de Fevereiro de 2024 - 11:00
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A dupla oriunda de São Paulo, presa em um hotel de luxo em Fortaleza, comprava dados de milhares de cartões de crédito, na internet, para clonar os cartões. Segundo as investigações da Polícia Civil do Ceará (PCCE), os suspeitos pagavam até 10 mil dólares (ou seja, quase R$ 50 mil) para ter acesso às informações de mil vítimas.

A quadrilha rodava o Brasil, para fazer vítimas por onde passava. Se tivesse um grande número de vítimas moradoras de um Estado entre as listas compradas na 'darkweb' (espaços obscuros da internet), o local entraria na rota dos golpistas.

Foi assim que um dos suspeitos veio a Fortaleza, no dia 8 de janeiro. Alguns dias depois, chegou o seu comparsa. A Polícia Civil do Ceará recebeu informações que um homem procurado no Estado de São Paulo, com antecedentes criminais como estelionato e falsidade ideológica, se passava como turista, na zona nobre da capital cearense.

Policiais civis da Delegacia de Proteção ao Turista (Deprotur) conseguiram localizar e abordar a dupla, na última quinta-feira (8). No quarto de hotel onde os suspeitos estavam hospedados, foram apreendidos 42 cartões de crédito, 25 maquinetas para utilização de cartões, seis aparelhos celulares, quatro notebooks, réguas copiadoras de dados de cartões de crédito, além de um vasto material utilizado para prática de fraudes por meio cibernético - inclusive uma lista com milhares de dados.

Nova forma de clonar cartão

Ao apreender o material, a Polícia Civil cearense se deparou com uma nova forma de clonar cartões de crédito. Antes, explica o titular da Deprotur, delegado Andrade Júnior, os golpistas ludibriavam clientes de lojas diversas para pegar os cartões delas e "copiar" os dados, através de um equipamento.

Mas essa quadrilha de São Paulo se utilizava da compra de milhares de dados na internet, através de listas que custavam até R$ 50 mil. "De posse desses dados, através de um software no computador, eles repassam essas informações para um cartão virgem, a partir de uma coletora de dados. Ele já gera um cartão com uma senha, que vai ser utilizado em uma maquineta, que foi previamente cadastrado em uma empresa montada por eles", detalha Andrade.

De acordo com o delegado, os criminosos iam às cidades das vítimas para abrir empresas fictícias nas Juntas Comerciais. Com as empresas abertas, eles encomendavam maquinetas, nas quais utilizavam os cartões clonados, aproveitando-se do limite máximo das vítimas. E, antes das vítimas reclamarem do golpe para a instituição financeira, os criminosos pediam antecipação dos pagamentos para a empresa das maquinetas - com a perda de uma pequena porcentagem do valor. 

Quando o dinheiro chegava na conta bancária da empresa "fantasma", os golpistas transferiam para outras contas. "As vítimas só vão perceber no momento que receber o extrato da conta. Ou se receber o alerta da compra. Por isso que a gente sempre recomenda que a pessoa mantenha o alerta de compra do seu cartão acionado no aplicativo do cartão. É a maneira que você tem de não cair nesse golpe", alerta Andrade Júnior.

O Departamento de Inteligência Policial (DIP), da Polícia Civil do Ceará, contribuiu com a investigação. "No tocante ao material apreendido, o Departamento de Inteligência vai fazer toda análise do material, após a autorização judicial. Análise dos notebooks, dos aparelhos celulares, com o objetivo de identificarmos novos membros do grupo criminoso, as vítimas e rastrear o dinheiro, para quais contas bancárias foi destinado, e assim sufocar no aspecto patrimonial esse grupo que atuava em São Paulo, no Ceará e em outros estados", aponta o delegado Daniel Diógenes.



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